HEVEA BRASILIENSIS: A NATUREZA (RE)CRIANDO POSSIBILIDADES DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INTERDISCIPLINARES EM ESPAÇOS EDUCATIVOS
DOI:
https://doi.org/10.26571/reamec.v13.19578Palavras-chave:
Interdisciplinaridade, Prática pedagógica, Ensino médio, Natureza, FenomenologiaResumo
O estudo discute como desenvolver a interdisciplinaridade na educação básica a partir de uma proposta pedagógica que entrelaça Biologia, História e Língua Portuguesa com o elemento natural da Hevea brasiliensis em uma proposta de ensino híbrido. A natureza é convocada como interlocutora na reflexão sobre a multiplicidade do fazer docente, rompendo com modelos engessados e abrindo espaço para temáticas mais artesanais e singulares. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com procedimentos metodológicos descritivos, fundamentados na fenomenologia da percepção, conforme Merleau-Ponty. A investigação foi realizada em uma instituição de ensino particular e no Museu do Seringal Vila Paraíso, ambos em Manaus (Amazonas). Os resultados indicam que pensar as práticas pedagógicas a partir de um elemento da natureza permite ressignificar o trabalho docente, especialmente no que diz respeito à autonomia do professor frente às mudanças na base legal da educação brasileira. Inspirado na poética de Manoel de Barros, apresenta-se um itinerário construído em uma oficina inventiva, que delineia a prática docente como exercício cotidiano de leitura, escrita, coletividade e feitura de si.
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Os dados de pesquisa que fundamentam este manuscrito são derivados da dissertação de mestrado "Ensino de Ciências Naturais em espaços educativos: o tema da exploração da seringa em uma perspectiva interdisciplinar", defendida em 04 de maio de 2021 no Programa de Pós-Graduação em Educação e Ensino de Ciências na Amazônia, Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
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