HEVEA BRASILIENSIS: A NATUREZA (RE)CRIANDO POSSIBILIDADES DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INTERDISCIPLINARES EM ESPAÇOS EDUCATIVOS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26571/reamec.v13.19578


Palavras-chave:

Interdisciplinaridade, Prática pedagógica, Ensino médio, Natureza, Fenomenologia

Resumo

O estudo discute como desenvolver a interdisciplinaridade na educação básica a partir de uma proposta pedagógica que entrelaça Biologia, História e Língua Portuguesa com o elemento natural da Hevea brasiliensis em uma proposta de ensino híbrido. A natureza é convocada como interlocutora na reflexão sobre a multiplicidade do fazer docente, rompendo com modelos engessados e abrindo espaço para temáticas mais artesanais e singulares. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com procedimentos metodológicos descritivos, fundamentados na fenomenologia da percepção, conforme Merleau-Ponty. A investigação foi realizada em uma instituição de ensino particular e no Museu do Seringal Vila Paraíso, ambos em Manaus (Amazonas). Os resultados indicam que pensar as práticas pedagógicas a partir de um elemento da natureza permite ressignificar o trabalho docente, especialmente no que diz respeito à autonomia do professor frente às mudanças na base legal da educação brasileira. Inspirado na poética de Manoel de Barros, apresenta-se um itinerário construído em uma oficina inventiva, que delineia a prática docente como exercício cotidiano de leitura, escrita, coletividade e feitura de si.

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Biografia do Autor

  • Ercilene do Nascimento Silva de Oliveira, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Manaus, Amazonas, Brasil

    Doutoranda em Ensino Tecnológico (PPGET/IFAM). Mestra em Educação e Ensino de Ciências na Amazônia, PPGEEC/UEA. Integra como estudante, o grupo de pesquisa Utilização de Recursos Naturais Amazônicos (URNAEA) do IFAM. É pesquisadora integrante do Grupo de Estudo e Pesquisa Educação em Ciências em Espaços Não Formais - GEPECENF/UEA, onde atuou como coordenadora do grupo no período de 2019/2020. É Especialista em Magistério do Ensino Superior, Teoria e Pesquisa da Comunicação e Gestão Empresarial. Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Licenciada em Pedagogia pela Estácio de Sá. Integra a Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências - ABRAPEC. Estuda temas relacionados ao Ensino tecnológico. Ensino de Ciências, Espaços Não Formais, Educação Ambiental, Interdisciplinaridade e Divulgação Científica. 

  • Mônica de Oliveira Costa, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Manaus, Amazonas, Brasil.

    Tenho me mobilizado nas/pelas discussões pós-estruturalistas na formação de professores e no currículo, na educação e no ensino de ciências. Assim, cursei graduação em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Amazonas (2005) com Habilitação em Supervisão e Orientação Escolar, Especialização em Psicopedagogia, Mestrado em Educação e Ensino de Ciências na Amazônia pela Universidade do Estado do Amazonas - UEA (2010), doutorado em Educação em Ciências e Matemática pela REAMEC - Rede Amazônica em Educação em Ciências e Matemática a partir do qual pesquiso os temas: Currículo, Estágio, Formação de professores e Amazônia na perspectiva pós-estruturalista. Atualmente sou professora/pesquisadora na Universidade do Estado do Amazonas.

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Publicado

2025-12-29

Declaração de Disponibilidade de Dados

Os dados de pesquisa que fundamentam este manuscrito são derivados da dissertação de mestrado "Ensino de Ciências Naturais em espaços educativos: o tema da exploração da seringa em uma perspectiva interdisciplinar", defendida em 04 de maio de 2021 no Programa de Pós-Graduação em Educação e Ensino de Ciências na Amazônia, Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Como Citar

OLIVEIRA, Ercilene do Nascimento Silva de; COSTA, Mônica de Oliveira. HEVEA BRASILIENSIS: A NATUREZA (RE)CRIANDO POSSIBILIDADES DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INTERDISCIPLINARES EM ESPAÇOS EDUCATIVOS. REAMEC - Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática, Cuiabá, v. 13, p. e25070, 2025. DOI: 10.26571/reamec.v13.19578. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/reamec/article/view/19578. Acesso em: 11 jan. 2026.

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