PERSPECTIVAS E PROTAGONISMO INDÍGENA EM UM CURSO DE FORMAÇÃO DOCENTE NA AMAZÔNIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26571/reamec.v13.20762


Palavras-chave:

Etnomatemática, Formação de professores indígenas, Interculturalidade, Matemática e cultura, Currículo

Resumo

Este artigo tem como objetivo compreender, sob uma perspectiva intercultural, em que medida os PPC contemplam epistemologias originárias, para a articulação entre teoria e prática e a participação comunitária na construção curricular do Curso de Licenciatura Indígena da Universidade Federal do Acre (UFAC), Campus Floresta. O estudo, de natureza qualitativa e documental, examina os Projetos Pedagógicos de Curso de 2008 e 2015 e os planos de ensino das disciplinas “Matemática Básica” e “Ideias Matemáticas”. A partir do referencial da Etnomatemática, especialmente dos aportes de D’Ambrosio (2011), Mattos, S. (2020a, 2020b) e Mattos e Bicho (2019), o artigo discute a articulação entre saberes acadêmicos e conhecimentos tradicionais, evidenciando os limites e potencialidades das propostas formativas implementadas. Os resultados apontam avanços, como a institucionalização da participação indígena e o reconhecimento da diversidade epistemológica, mas também fragilidades, como a condução das disciplinas de Matemática com viés ainda eurocêntrico. Argumenta-se que superar tais desafios exige políticas de formação contínua em Etnomatemática, apoio linguístico e fortalecimento da governança colegiada, de modo que o currículo dialogue com os contextos culturais dos povos indígenas. Conclui-se que a Licenciatura Indígena da UFAC pode constituir um espaço estratégico de afirmação identitária e de valorização das matemáticas culturalmente constituídas, desde que acolha práticas pedagógicas afetivas, contextualizadas e ancoradas no território.

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Biografia do Autor

  • Éverton Melo de Melo, Universidade Federal do Acre (UFAC), Cruzeiro do Sul, Acre, Brasil.

    Possui graduação em Licenciatura em Matematica pela Universidade Federal do Acre (2004), mestrado em Educação pela Universidade Federal Fluminense (2013) e doutorado em Educação em Ciências e Matemática pela Rede Amazônia de Educação em Ciências e Matemática (2022). Atualmente é professor do Magistério Superior da Universidade Federal do Acre. Tem experiência na área de Matemática, com ênfase em Educação Matemática e Tecnologias da Informação e Comunicação nos processos de ensinagem, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, educação matemática, representação social, diversidade e educação e tecnologias educacionais.

  • José Roberto Linhares de Mattos, Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, Rio de Janeiro, Brasil

    Possui Pós-doutoramento em Educação pela Universidade de Lisboa, no qual trabalhou com o tema "Educação matemática em ambientes multiculturais" junto ao projeto Fronteiras Urbanas: a dinâmica de encontros culturais na educação comunitária, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia - FCT, Portugal. Doutor em Ciências (D.Sc.) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - COPPE-Sistemas/UFRJ. Mestre em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bacharel e licenciado em Matemática pela Universidade Federal Fluminense - UFF. Professor Titular do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal Fluminense, professor do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação Agrícola da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - PPGEA/UFRRJ, professor colaborador do Programa de Doutorado da Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática - REAMEC/PPGECEM/UFMT/UFPA/UEA e membro do Colegiado do Curso de Especialização em Matemática para Professores do Ensino Fundamental e Médio, da UFF. Vice-líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etnomatemática e Cultura - GEPEC/UFRRJ/CNPq - http://smnmattos.wixsite.com/gepec. Líder do Laboratório Internacional em Etnomatemática e Ecologia - LIEE/UFF/CNPq . Pesquisador no Grupo de Pesquisa Etnomatemática e Cultura em Contextos Amazônicos - GPECCA. Membro Associado do Comitê Latino-americano de Matemática Educativa (Clame). Coordenador do GT05 - História da Matemática e Cultura - da Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM) no período 2021-2024 e reeleito para o período 2024-2027. Vice-coordenador do GT05 da SBEM no período 2019-2021. Vice-diretor da Regional SBEM-AP no período 2020-2021. Coordenador regional no Sudeste da Red Internacional de Etnomatemática (RedINET - Brasil) no período 2022-2024. Editor Associado da Revista Science and Knowledge in Focus. Membro do Conselho Editorial Científico das Revistas: Hipátia - Revista Brasileira de História, Educação e Matemática; Revista Diálogos e Perspectivas em Educação - ReDiPE, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará - Unifesspa; e Revista REAMEC, da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT. É Pesquisador em Etnomatemática, o qual trabalha com Educação Matemática em Contextos da Educação Escolar Indígena, Quilombola e do Campo, investigando a geração e difusão do conhecimento, a relação do saber popular com o conhecimento escolar, as práticas e os saberes de povos originários, ancestrais e tradicionais, e os processos de ensino e de aprendizagem da matemática escolar e sua relação com o cotidiano.

  • Sandra Maria Nascimento de Mattos, Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-RJ), Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

    Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialização em Psicopedagogia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Mestrado em Educação pela Universidade Católica de Petrópolis, Doutorado em Educação: Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/ Universidade Católica Portuguesa do Porto. É pós-doutoranda em Ciências do Ambiente na Universidade NOVA de Lisboa sob supervisão da investigadora Mônica Mesquita. Atualmente é professora do quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação Agrícola - PPGEA da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ. Atuou como professora formadora UAB/IFAP. É professora da Educação Básica pela Secretaria Municipal de Educação do Município do Rio de Janeiro - SME/RJ. Foi orientadora e tutora da Universidade Aberta do Brasil. É pesquisadora do Laboratório internacional em Etnomatemática e Ecologia - LIEE/UFF/CNPq e do Grupo de Pesquisa Etnomatemática e Cultura em Contextos Amazônicos - GEPECCA/IFAP/CNPq. É líder do Grupo de Estudos e Pesquisas Em Etnomatemática e Cultura - GEPEC/UFRRJ/CNPq. É Membro Associado do Comitê Latino-americano de Matemática Educativa (Clame). É membro do GT05 - História da Matemática e Cultura, da Sociedade Brasileira de Educação Matemática - SBEM. É vice-diretora da regional Amapá da Sociedade Brasileira de Educação Matemática - SBEM-AP para o período 2022-2025. É Editora Associada da Revista Science and Knowledge in Focus. É autora de livros na área de Educação/Educação Matemática, tendo criado em um de seus livros a Dimensão Afetiva do Programa Etnomatemática. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Formação de professores e em Etnomatemática, atuando em temas como práticas pedagógicas, constituição docente, afetividade, processos de ensinagem e de aprendizagem dos conteúdos matemáticos escolares, saberes e fazeres em comunidades originárias, ancestrais e tradicionais, estudos com mulheres, preservação do ambiente, sustentabilidade e valorização cultural e social.

Referências

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Publicado

2025-12-22

Como Citar

MELO, Éverton Melo de; MATTOS, José Roberto Linhares de; MATTOS, Sandra Maria Nascimento de. PERSPECTIVAS E PROTAGONISMO INDÍGENA EM UM CURSO DE FORMAÇÃO DOCENTE NA AMAZÔNIA. REAMEC - Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática, Cuiabá, v. 13, p. e25041, 2025. DOI: 10.26571/reamec.v13.20762. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/reamec/article/view/20762. Acesso em: 11 jan. 2026.