INTERAÇÕES INTERMOLECULARES NA ARTE DO GRAFITE: UMA PROPOSTA TEÓRICA DE JOGO EDUCATIVO PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES SOCIOCULTURAIS E POLÍTICOS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26571/reamec.v11i1.14893


Palavras-chave:

Ensaio Teórico, Ética, Jogo Educativo, Ensino de Química, Formação de Professores

Resumo

Com as crescentes denúncias de violência e injustiças nas relações sociais, a educação pensada “em” e “para” os direitos humanos se faz insurgente ao sistema atual de ensino e aprendizagem. Precisamos fazer dialogar as ciências da natureza com as ciências sociais, garantindo possibilidades de aprendizagem científica e atitudinal que permeiam a ética na formação dos estudantes, para isso é necessário repensar o modelo do professor de química. Os autores procuraram planejar, neste ensaio, as possibilidades de um jogo educativo informal para o ensino das interações intermoleculares dentro do contexto social dos estudantes, contemplando importantes questões que podem possibilitar reflexões sobre o ensino de química e a educação em direitos humanos. Este trabalho é um ensaio teórico que utilizou a análise estrutural-funcional de concepções importantes para a formação de professores de química como agentes sociais, culturais e políticos. Este é um processo intencional, transgressor e democrático, interessado em despertar no professor a consciência da presença das assimetrias nas relações sociais, de forma que possa levar a uma busca constante por equidade.

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Biografia do Autor

  • Kleber Francisco da Silva, Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, Goiás, Brasil.

    Licenciado em Química pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás). Especialista em Ensino de Química e Metodologia do Ensino de Química pela Faculdade Iguaçu (FI-PR). Mestre e Doutorando em Educação em Ciências e Matemática pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Integrante do grupo de pesquisa do Laboratório de Educação em Química e Atividades Lúdicas (LEQUAL) na Universidade Federal de Goiás - UFG. Tem experiência na área de Educação em Química, atuando principalmente nos seguintes temas: Formação de Professores, Decolonialidades, Interculturalidade, Educação em Direitos Humanos e Atividades Lúdicas no Ensino de Química.

  • Roberto Dalmo Varallo Lima de Oliveira, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, Paraná, Brasil.

    Licenciado em Química pela Universidade Federal Fluminense (2012), Mestre e Doutor em Ciência, Tecnologia e Educação pelo CEFET-RJ (2017). Foi professor da Escola Básica. Trabalhou entre 2014 e 2017 na Universidade Federal do Tocantins (UFT), entre 2017 e 2019 na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atualmente, é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Coordenador da Coleção Culturas, Direitos Humanos e Diversidades na Educação em Ciências. Atuando nos programas de pós-graduação em Educação (PPGE) e Educação em Ciências e em Matemáticas (PPGECM) com os temas Estudos Culturais da Ciência e Tecnologias; Relações entreCiências, Artes e filosofias. Amante da linguística, ele focou os últimos anos de sua carreira em estudos em Therolinguística o que fez com que se sentisse confortável para trabalhar como tradutor da obra "A Máquina Classificatória de Humanidades: escritos excrementais" produzida pelo intelectual Bartholomew Feather.

  • Márlon Herbert Flora Barbosa Soares, da Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, Goiás, Brasil.

    Cursei Licenciatura em Química na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), entre 1992 e 1998. Desde 1993, até antes de me mudar para São Carlos -SP em 1999 para cursar o mestrado, ministrava aulas de química e física no ensino médio público. Em 2001, após dois anos, terminei meu mestrado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), trabalhando com ensino de química analítica. Minha dissertação versava sobre a caracterização e aplicação de corantes naturais de flores em equilíbrio químico, mudança de coloração, indicadores naturais enfim. No mesmo ano, 2001, logo após a defesa de dissertação, fui aprovado para o doutorado em química, também pela UFSCar, minha tese versava sobre o uso de jogos em ensino de química. Conclui o doutorado em 2004, três anos após meu ingresso e dois anos após ter sido aprovado em concurso público para professor assistente na Universidade Federal de Goiás, onde estou atualmente. Hoje sou PROFESSOR TITULAR e um dos professores da área de ensino de química do Instituto de Química da UFG. Coordeno o Laboratório de Educação Química e Atividades Lúdicas (LEQUAL), grupo registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq e que também conta com financiamento deste mesmo órgão. Fui coordenador do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência do curso de Licenciatura em Química do IQ - UFG entre 2008-2012. Coordenei o estágio de licenciatura por 5 anos, entre 2003 e 2008, período de direcionamento, implantação e regulamentação do estágio docente no Brasil e na UFG. Sou pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Ensino de Ciências (NUPEC) da UFG, com financiamento do CNPq e do FINEP. Orientei 13 alunos de doutorado, 32 alunos de mestrado e 22 alunos de Iniciação Científica até o presente momento, além de 25 monografias de final de curso, implantadas em 2007 na licenciatura em Química da UFG. Atualmente, oriento 4 alunos de mestrado e 8 alunos de doutorado pelo PPGQ E PPGECM da UFG. Publiquei até o momento 105 artigos em periódicos especializados e 315 trabalhos em anais de eventos científicos, sendo 95 deles, trabalhos completos. Tenho 19 capítulos de livro publicados, e no final do ano de 2008, lancei meu primeiro livro: Jogos em Ensino de Química, teoria, métodos e aplicações, que se encontra na 2a edição no ano de 2015. No ano de 2018 lanço um livro novo: Didatização Lúdica no Ensino de Química/Ciências, em parceria com Cleophas, M. G. Finalmente, as linhas de pesquisa em que atuo são: Jogos e Atividades Lúdicas Aplicadas ao Ensino de Química; Ciência e Religião; Formação de Conceitos; Inclusão Digital de Professores de Ciências e Robótica Educacional em Ensino de Ciências.

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Publicado

2023-08-25

Como Citar

INTERAÇÕES INTERMOLECULARES NA ARTE DO GRAFITE: UMA PROPOSTA TEÓRICA DE JOGO EDUCATIVO PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES SOCIOCULTURAIS E POLÍTICOS. REAMEC - Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática, Cuiabá, Brasil, v. 11, n. 1, p. e23042, 2023. DOI: 10.26571/reamec.v11i1.14893. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/reamec/article/view/14893. Acesso em: 3 abr. 2025.