UMA FORMAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: REFLEXÕES DE EDUCADORES(AS) SOBRE PRÁTICAS DECOLONIAIS
DOI:
https://doi.org/10.26571/reamec.v13.19030Palavras-chave:
Antirracismo, Educação Matemática Decolonial, Formação Continuada, Relações étnico-raciaisResumo
Este artigo apresenta uma pesquisa qualitativa que investigou uma formação continuada sobre relações étnico-raciais no ensino de Matemática, realizada com educadores de escolas públicas em Vitória da Conquista, Bahia. A pesquisa teve como objetivo analisar as reflexões de educadores(as) de Matemática acerca de relações étnico-raciais e suas possíveis implicações para a construção de práticas decoloniais, após uma formação sobre o tema. Foram destacados os impactos persistentes da colonialidade na formação docente e exploradas as oportunidades oferecidas pela decolonialidade para buscar mudanças significativas. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas e registros das sessões formativas, sendo analisados à luz da teoria decolonial e da matriz metodológica descolonial. Os resultados evidenciam que, embora a formação tenha afetado positivamente o discurso deles a respeito do tema, as práticas pedagógicas ainda requerem esforços adicionais para que possam ser efetivamente transformadas. Os dados também desvelam a importância de investimentos contínuos em formações voltadas às relações étnico-raciais, bem como da presença de apoio institucional ‒ tanto interno quanto externo às escolas ‒ para que as mudanças no discurso docente se concretizem em práticas pedagógicas. O suporte de gestores(as) e de políticas educacionais que incentivem e sustentem essas formações mostra-se fundamental para que educadores(as) possam, de fato, implementar práticas decoloniais em suas aulas de Matemática.
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