INVENÇÃO OU CRIAÇÃO MATEMÁTICA E OS FENÔMENOS DIDÁTICOS

Autores

DOI:

10.26571/reamec.v8i3.10901

Palavras-chave:

Invenção Matemática, Sala de aula de Matemática, Transposição Didática, Aprendizagem autônoma

Resumo

Este ensaio teórico tem por objetivo tratar da invenção matemática discutida por Jacques Hadamard e relacioná-lo à prática docente, a partir dos fenômenos didáticos existentes. Justifica esta pesquisa, o fato de que se a matemática é uma invenção ou criação, e este pressuposto precisa estar evidenciado nos objetivos do ensino, pois, em geral, os docentes almejam que os estudantes aprendam conteúdos clássicos e prontos para serem apropriados por eles. Na parte 2 do texto, apresenta-se o conceito definido por Hadamard sobre a invenção matemática, descrevendo as suas quatro fases: a preparação, a incubação, a iluminação e a verificação; e analisar, na perspectiva do autor, o papel do inconsciente na iluminação matemática, apoiado, sobretudo, no testemunho de Poincaré. Na parte 3, trata-se dos fenômenos didáticos que ocorrem na sala de aula de matemática (transposição e contrato) e seus papéis para a aprendizagem autônoma do aluno. A metodologia da pesquisa é bibliográfica e documental. Temos como principal contribuição a influência exercida pelos fenômenos, evidenciando que não basta adequar o saber a ser ensinado, mas também de verificar o que é efetivamente aprendido. A conclusão destaca que a aprendizagem, como fenômeno que se dá em primeira pessoa, exige a autonomia do aluno e, consequentemente, é necessário estimular seu potencial de criatividade que, ao invés de se contentar de se apropriar dos conteúdos produzidos por especialistas, procure construir seu próprio saber matemático, incentivando-o a ser, por sua vez, um inventor ou criador de soluções próprias.

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Biografia do Autor

Marcus Bessa de Menezes, Universidade Federal de Campina Grande

Graduação em Licenciatura em Matemática pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2000), Mestrado em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (2004), Doutorado em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (2010) e Pós-doutorado em Educação Matemática pela Universidade Federal de Pernambuco e Universidad Complutense de Madrid (2015). Professor Associado da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino das Ciências e Matemática do Centro de Acadêmica do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (CAA-UFPE), Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ensino das Ciências e Educação Matemática (PPGECEM) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB); Líder do Grupo de Pesquisa do CNPq intitulado: Didática dos Conteúdos Específicos Voltada para a Convivência com o Semiárido e Pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco no Grupo de Fenômenos Didáticos. Experiência na área de Matemática, atuando principalmente nos seguintes temas: Educação Matemática, Contrato Didático, Transposição Didática, Teoria Antropológica do Didático, Políticas Públicas de Avaliação e Matemática Inclusiva.

Alvino Moser, Centro Universitário Internacional

Concluiu o pós-doutorado em Lógica Deôntica e Jurídica (1985), o doutorado em Ética (1973), o mestrado em Epistemologia (1970) e a graduação em Filosofia (1969) pela Université Catholique de Louvain. Também é graduado em Química (1963) pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR. No Centro Universitário Internacional UNINTER, é Decano e professor do Programa de Mestrado em Educação e Novas Tecnologias - PPGENT, no qual leciona Fundamentos Epistemológicos da Mediação Tecnológica, e da Escola Superior de Educação - ESE, na qual faz parte do núcleo docente dos cursos de graduação em Filosofia e Pedagogia. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Epistemologia e Filosofia das Ciências, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, aprendizagem, filosofia, educação a distância e epistemologia.

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Publicado

2020-10-26

Como Citar

MENEZES, M. B. de; MOSER, A. INVENÇÃO OU CRIAÇÃO MATEMÁTICA E OS FENÔMENOS DIDÁTICOS. REAMEC - Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática, Cuiabá, Brasil, v. 8, n. 3, p. 592–612, 2020. DOI: 10.26571/reamec.v8i3.10901. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/reamec/article/view/10901. Acesso em: 25 maio. 2024.