CURRÍCULO DAS AUSÊNCIAS, RECONHECIMENTO E O DIREITO DE APARECER
interseccionalidades no acesso à PrEP
DOI:
https://doi.org/10.29327/Palavras-chave:
Interseccionalidade; PrEP; Currículo; Biopolítica.Resumo
Este artigo analisa, por meio de uma abordagem interseccional, os dados públicos sobre o acesso à Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) no Brasil, com o intuito de problematizar os efeitos de produção de sujeitos e os mecanismos de exclusão presentes nas políticas públicas de prevenção às ISTs. Ancorados nos Estudos Culturais em Educação, nos estudos foucaultianos sobre biopolítica e dispositivo da sexualidade, e nas contribuições de autoras como Judith Butler (2018), Patricia Hill Collins (2017) e Nikolas Rose (2013), analisamos o discurso de universalidade da PrEP ao evidenciar como raça, gênero e sexualidade operam como marcadores que hierarquizam os corpos e seus direitos à saúde. A partir de uma análise dos dados extraídos do Painel PrEP do Ministério da Saúde (2018–2024), mobilizamos os gráficos como artefatos discursivos que reiteram desigualdades estruturais e produzem ausências. A metodologia adotada articula as perspectivas pós-críticas de currículo e interseccionalidade como estratégia teórico-analítica que recusa leituras naturalizantes dos dados e busca explicitar os jogos de poder que regulam o campo do reconhecimento e da cidadania. Defendemos que, apesar do aumento no número total de usuários/as, a política pública de acesso à PrEP permanece operando sob regimes de regulação que tornam inelegíveis corpos historicamente marginalizados, acionando o que nomeamos de currículo das ausências.
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