Custos da eficiência

A banalidade do mal e a premência de um modelo pós-burocrático

Autores

DOI:

10.30781/repad.v4i3.10448

Palavras-chave:

Crise fiscal. Burocracia. Banalidade do mal.

Resumo

A recente crise econômica brasileira impactou a capacidade de financiamento da União, Estados e Municípios coroando uma década de incapacidade do setor público de alcançar o equilíbrio fiscal (2011-2020). A literatura se debruçou sobre diversas causas do fenômeno do desequilíbrio fiscal apontando para questões econômicas, institucionais e políticas, principalmente. Contudo, ainda é preciso compreender, sob a perspectiva da teoria organizacional, como medidas que aprofundam a crise fiscal tomam lugar em uma burocracia especializada, cônscia dos aspectos técnicos e capaz de antever suas consequências. Este artigo promove uma análise do modelo organizacional burocrático sob a perspectiva filosófica arendtiana de banalidade do mal, tendo o caso de Minas Gerais como pano de fundo. O aporte filosófico permite concluir que o tipo de organização burocrático-weberiana mostra sinais de desgaste frente aos desafios da contemporaneidade. Ao revisitar seus fundamentos teóricos, o paradigma pós-burocrático apresenta modelos que potencializam a atuação do corpo técnico estatal permitindo-lhe maior autonomia. A nova modelagem organizacional pode contribuir para a reconfiguração do quadro decisório, incluindo o corpo técnico estatal como mais um agente neste contexto. A limitação do escopo deste trabalho é convidativa para estudos futuros, permitindo comparações e aprofundamentos capazes de contribuir com o debate sobre o modelo pós-burocrático.       

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Biografia do Autor

Antônio Eduardo de Noronha Amabile, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutorando em Administração pelo CEPEAD/ UFMG.    

Ana Luiza Santos Terra, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestranda em Administração pelo CEPEAD/ UFMG.  

Ivan Beck Ckagnazaroff, Universidade Federal de Minas Gerais

Professor Titular, PhD, Universidade Federal de Minas Gerais/ CEPEAD.  

Simone Marília Lisboa

Doutoranda em Administração pelo CEPEAD/ UFMG  e Professora Instituto Federal de São Paulo.  

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Publicado

2020-10-01

Como Citar

AMABILE, A. E. de N.; TERRA, A. L. S.; CKAGNAZAROFF, I. B.; LISBOA, S. M. Custos da eficiência: A banalidade do mal e a premência de um modelo pós-burocrático. Revista Estudos e Pesquisas em Administração, [S. l.], v. 4, n. 3, 2020. DOI: 10.30781/repad.v4i3.10448. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/repad/article/view/10448. Acesso em: 25 out. 2020.