Crianças em pesquisas que se arriscam, riscam e dão passagem a abordagens metodológicas brincantes

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DOI:

10.31560/2595-3206.2019.6.9956

Resumo

Encontrar-se com uma criança – real, imaginária, fictícia, fabulada, memória ou tudo isso – é sempre dar-se a um turbilhão de palavras, afetos e afecções de horas antigas e das que nos envolvem no aqui-agora. É se colocar em movimentos brincantes por meio de cenas, imagens, memórias, ficções, fabulações, histórias, discursos e narrativas por onde a vida – que não deveria precisar de autorização para o existir – transborda. Encontrar-se com uma criança é da ordem do tempo, da fragilidade e da criação de forças, de conversas, de bagunças e brincadeiras, e é exatamente isso o que nos faz ocupar essa escrita arisca. Com os limites de nossas apostas e intenções, com as frágeis metodologias de pesquisas e nossas formas de fazer, tecer e problematizar a produção que qualificamos por conhecimento, junto às (contra) metodologias desenvolvidas nos cotidianos, a multiplicidade e a complexidade dos saberes tecidos e (des)tecidos no plano de imanência da vida nos faz olhar de novo para o que supúnhamos já saber e conhecer. Os estudos e pesquisas com os cotidianos nos ajudam a compreender o que temos de mais íntimo, ou seja, nossas vidas, nossas existências e experiências. E, a nosso ver, nada nos lembra mais da multiplicidade da força da vida que nossos encontros com a vida crianceira que se esgueira em nossas existências. Se há um método que se afirma demasiado científico e que busca as grandes premiações e o reconhecimento universal (GAZETA DO POVO, 2017), há, decerto, outras abordagens e aproximações com outros tipos de interesses e de usos. Essas seriam, talvez, (contra) metodologias tal qual Foucault (2010) anunciava em seu curso Em defesa da sociedade como um conjunto de saberes sujeitados que, de repente, veem-se lado a lado e são então capazes de fazer insurreição.

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Publicado

2020-03-06

Edição

Seção

Dossiês Temáticos