CORPOS RECUSADOS E CONTRACURRÍCULOS:
hiv/aids, saúde sexual e a produção de subjetividades resistentes
DOI:
https://doi.org/10.29327/Palavras-chave:
hiv/aids; Saúde sexual; Currículo oculto; Diário-corpo; Biopolítica.Resumo
O artigo propõe uma reflexão crítica sobre os modos como o hiv/aids, enquanto marcador biopolítico, atravessa corpos e subjetividades dissidentes, especialmente de homens vivendo com hiv. A partir da noção de “corpos recusados” (Cecílio, 2020) e do conceito de “currículo oculto” (Silva, 2016; Louro, 1999, 2004), argumenta-se que tanto os espaços escolares quanto os dispositivos institucionais de saúde operam como mecanismos de exclusão, apagamento e normalização de corpos que desafiam as normas hegemônicas de gênero, sexualidade, raça e classe. A pesquisa, ancorada no projeto “Masculinidades, curso de vida e cuidado”, evidencia como os discursos e práticas sociais relacionados ao hiv/aids ainda estão marcados por estigmas e silenciamentos, configurando um currículo que ensina, de forma implícita, quem tem direito ao cuidado, à visibilidade e à cidadania. Por meio da análise de um diário-corpo produzido por um interlocutor da pesquisa, o texto reflete como esses sujeitos elaboram resistências e práticas de cuidado de si em meio a contextos de exclusão. A articulação entre currículo e biopolítica permite compreender como determinadas narrativas sobre saúde e sexualidade são legitimadas enquanto outras são relegadas à margem. O artigo, portanto, convoca um olhar ético-político sobre os corpos que, mesmo recusados, fabulam contracurrículos que reivindicam pertencimento, reconhecimento e vida digna.
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