Governo, vigilância e transexualidades: limites (est)éticos e a (im)possibilidade de reconhecimento subjetivo-identitário

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Resumo

Esse artigo tem como objetivo discutir as políticas de Reconhecimento (HONNETH, 2009) a partir de ideia de inimizade (MBEMBE, 2017). Tomo como ferramenta analítica os conceitos de governo, vigilância e transexualidade para lançar luzes sobre os modos de produção de diferença e alteridade que são agenciados no interior das políticas paradoxais de reconhecimento. Deste modo, defendo que as políticas reconhecimento operam a partir de racionalidade que, ao negar o Outro, efetiva sua existência, mesmo que seja como estratégia de ódio e ou anulação. O Outro, reconhecido pelo ódio, é o inimigo aquele cujas políticas de matabilidade visa eliminar, neste caso haveria uma ruptura no processo na inteligibilidade do processo de reconhecimento, tal como proposto por Honneth (2009), “situando” os corpo-subjetividades trans no campo das inimizades, paradoxalmente produz uma política de reconhecimento dessas experiências como aquilo que foge à categoria universal inventando, assim, a própria diferença.

Biografia do Autor

Mariah Rafaela Cordeiro Gonzaga da Silva, Universidade Federal Fluminense (UFF)/ Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Mariah Rafaela Silva é pesquisadora de doutorado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É formada em História da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui mestrado em Ciências Humanas, ênfase em História, Teoria e Crítica da Cultura pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA). É professora substituta da Escola de Belas Artes da UFRJ, no Departamento de História e Teoria da Arte. Foi intercambista na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, onde estudou Ciências Sociais. É colaboradora da ONG Conexão G para a cidadania LGBT nas favelas.

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Publicado

2020-12-31

Edição

Seção

Dossiê Temático: Teoria Social Crítica e LGBTI