Antropofagia virtual: processos de midiatização e práticas de insurgência corpo-identitárias no Brasil

Autores

Resumo

Os dispositivos de mídia nas sociedades contemporâneas vêm ganhando cada vez mais importância para a experiência humana. Diante desse cenário, os corpos transgêneros vem disputando narrativas em diferentes campos da representatividade social. Este breve artigo tem como aposta, analisar alguns processos de miditização que engendram perspectivas identitárias, colando em xeque o modelo hegemônico de representação do corpo e do gênero construído no interior das políticas de cisgeneridade. Esse processo de “decolonização” representativa com e na mídia, chamo de antropofagia virtual, e é através dele que busco analisar alguns fenômenos de insurgência e trans-resistências.

Palavras-chave: transexualidades, antropofagia, midiatização, insurgência, transdecolonialidade.


Biografia do Autor

Mariah Rafaela Cordeiro Gonzaga da Silva, Universidade Federal Fluminense (UFF)/ Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Mariah Rafaela Silva é pesquisadora de doutorado em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É formada em História da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui mestrado em Ciências Humanas, ênfase em História, Teoria e Crítica da Cultura pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA). É professora substituta da Escola de Belas Artes da UFRJ, no Departamento de História e Teoria da Arte. Foi intercambista na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, onde estudou Ciências Sociais. É colaboradora da ONG Conexão G para a cidadania LGBT nas favelas.

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Publicado

2021-04-05

Edição

Seção

Dossiê Temático: Políticas de extermínio - transfobia, homofobia e feminicídio