A FLEXIBILIZAÇÃO DOS TEMPOS DE TRABALHO COMO BASE DO ADOECIMENTO

Márcia Carolina Santos Trivellato, Tamiris Vilas Bôas Paixão

Resumo


Segundo a teoria marxista, o tempo é fundamento essencial no capitalismo, pois ele é o principal fator de influência na velocidade e na quantidade de mercadorias produzidas. Porém, há um conflito entre o tempo diário disponível e o limite suportado pelo(a) trabalhador(a) na jornada de trabalho. A manipulação do tempo e a inobservância do respeito ao limite físico e mental do(a) empregado(a) pode acarretar em adoecimento por extração de trabalho excedente. Logo, se a fase industrial do capitalismo foi marcada por jornadas de trabalho rígidas de longa duração, quais são os desdobramentos dessas novas tendências adotadas pelo capital na saúde mental daqueles(as) que encontram a única garantia de subsistência na força de trabalho? Para tanto, discutir-se-á sobre as formas tradicionais e contemporâneas de organização do trabalho no sistema capitalista, investigar-se-á as consequências da exploração da força de trabalho na higidez do(a) trabalhador(a) e a influência do tempo na flexibilização do trabalho. Trata-se de um estudo que discorre por meio da pesquisa empírica, das aproximações e distanciamentos das temáticas envolvidas.  Dessa maneira, analisa-se a influência negativa da flexibilização do trabalho no setor de call center com relação ao desenvolvimento de doenças psíquicas e físicas semelhantes em atendentes de telecomunicação, a neurastenia.


Palavras-chave


Direito do Trabalho; flexibilização do trabalho; adoecimento

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