O comportamento da variável palatal /ʎ/ no falar quilombola em Pernambuco
Palavras-chave:
Pernambuco, Quilombos, SociolinguísticaResumo
O presente trabalho visa analisar o comportamento variável da consoante lateral palatal /ʎ/ em quilombos pernambucanos. Para tanto, foram selecionadas as ocorrências fonéticas para vocábulos como grelha, colher, ovelha, abelha, orelha, joelho, mulher e barulho. A ideia parte da verificação preliminar de algumas realizações com a referida consoante mantida nos vocábulos, mas também com itens em que houve tanto a despalatalização quanto a iotização. Por meio de um suporte teórico-metodológico conferido a Labov (1972) em que se predomina a Sociolinguística Variacionista, por meio da qual cada aspecto linguístico que pode ser modificado de acordo com a preferência do falante é influenciado por uma valorização social que orienta sua escolha. A pesquisa foi realizada em cinco quilombos do estado de Pernambuco (três do Sertão do Moxotó e dois do Ipanema) com vinte pessoas distribuídas equitativamente quanto ao sexo e a duas faixas etárias – 18 a 30 anos e 50 a 65 anos. O processo de análise foi feito por meio do Goldvarb X, correlacionando as variáveis sociais às linguísticas (tonicidade, contexto precedente e contexto seguinte). Os resultados apontam para uma inibição da variante conservadora [ʎ], já que as mulheres, sobretudo, da segunda faixa etária preferiram as variantes inovadoras em que a consoante perdeu o traço palatal. Do ponto de vista linguístico, por sua vez, a despalatalização decorre da vogal articulada após a consoante palatal, não sendo favorecedoras, portanto, a tonicidade e o contexto precedente.
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