TRANSFOBIA E RECONHECIMENTO DE DIREITOS:

indenizações como mecanismos de reparação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/


Palavras-chave:

Indenização; Reparação; Transfobia; Direitos Humanos; Justiça.

Resumo

No Brasil atual, políticas e práticas de reparação vêm sendo incorporadas, de formas variadas e consistentes, ao campo da mobilização social por direitos e justiça. As indenizações, em particular, têm ganhado centralidade no processo de busca por reparação iniciadas com episódios de discriminação e violências. O artigo analisa a relação entre violência LGBTI+fóbica e indenizações judiciais no Brasil, à luz das transformações jurídicas e políticas desencadeadas, sobretudo, a partir da criminalização da homofobia e da transfobia pelo Supremo Tribunal Federal em 2019. Partindo de uma contextualização histórica sobre o reconhecimento da violência contra dissidências de gênero e sexualidade, o texto discute os limites e potencialidades das indenizações como forma de reparação de direitos humanos, considerando tanto seus efeitos simbólicos quanto materiais. A partir da análise de dois casos emblemáticos — envolvendo agentes políticos e uma instituição financeira — entrevistas e análise documental, o artigo investiga as expectativas das vítimas, os sentidos atribuídos às decisões judiciais e os critérios utilizados para a fixação dos valores indenizatórios pelo judiciário. Argumentamos que, embora as indenizações não sejam capazes de reparar integralmente os danos produzidos pela violência, elas têm desempenhado um papel relevante na visibilização de direitos, na produção de jurisprudência e na afirmação da dignidade das pessoas LGBTI+, especialmente em contextos marcados por morosidade judicial, revitimização e persistência de desigualdades estruturais.

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Biografia do Autor

  • Paula Lacerda, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre pelo Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ), doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGAS/MN/UFRJ). Possui estágios pós-doutorais no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2012-2013), na Faculdade de Filosofia e Humanidades, da Universidade Nacional de Córdoba, Argentina (2018-2019) e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de Brasília (2023-2025). Atualmente é professora associada do Departamento de Antropologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPCIS/UERJ). Tem experiência nas áreas de gênero, direitos humanos, mobilização social e dinâmicas políticas contemporâneas, especialmente a partir da Amazônia brasileira. É membro da Associação Brasileira de Antropologia e faz parte do Grupo de Trabalho "Antropologia do Estado e das Instituições" da Asociación Latinoamericana de Antropología. É coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Amazônia Contemporânea (NUAMA/UERJ), integrante do Núcleo de Estudos Urbanos (CIDADES/UERJ) e do Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (LACED/MN/UFRJ).

  • Paula Esteves, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Doutoranda e Mestre em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É pesquisadora do ÍMPAR - Laboratório de Estudos Críticos da Família (USP), do LACED - Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento e dos Núcleos de Pesquisa CIDADES e NUER (PPCIS/UERJ), cadastrados na base do CNPQ. É membro da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), bolsista CAPES e atua como editora do periódico Intratextos. No momento está participando do Projeto de Pesquisa Indenizações e violência LGBTfóbica, sob coordenação da Prof. Dr, Paula Lacerda. Tem como áreas de interesse a antropologia e a sociologia, com ênfase na antropologia das emoções, sociologia da família e nos estudos de gênero, sexualidade, violências, territorialidades, subjetividades e religião.

  • Brune Herculano, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    Bixa preta não-binária, graduada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2024); Mestrando em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UERJ (PPCIS); Assessora Especialista do Programa Rio Sem LGBTIfobia.

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Publicado

04-10-2026

Como Citar

TRANSFOBIA E RECONHECIMENTO DE DIREITOS:: indenizações como mecanismos de reparação. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 9(24). https://doi.org/10.29327/