MARCADORES URBANOS DA DIFERENÇA:

travestis, feminismos decoloniais e a luta por outras cidades possíveis

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/


Palavras-chave:

Gênero; Sexualidades; Travestis; Direito à Cidade; Decolonialidade.

Resumo

As cidades operam como potentes marcadores sociais da diferença e ambientes dinâmicos de poder e exclusão, moldando e sendo afetadas por identidades de gênero, sexualidades e dissidências, com particular incidência sobre minorias sexuais, travestis e transexuais. Este artigo tem como objetivo analisar como o espaço urbano afeta a individualidade, a vivência, a identidade e o reconhecimento social desses sujeitos. A etnografia desenvolvida em Barra do Garças (MT) demonstra como a reestruturação urbana local intensificou a invisibilização de corpos travestis e suas lutas pelo direito à cidade. Teoricamente, o estudo dialoga com o feminismo, a teoria queer e o pensamento decolonial, destacando sua importância para entender a colonialidade do poder, do saber e do ser nas configurações urbanas. Ao trazer a experiência mediada pela escuta de uma travesti trabalhadora do sexo, o texto sublinha como corpos dissidentes desafiam a matriz colonial de gênero e (re)imaginam a cidade através de práticas espaciais e afetivas que promovem a (re)existência e a criação de outras urbanidades.

 

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Luís Antonio Bitante Fernandes, Universidade Federal do Mato Grosso - UFMT/CUA

    Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista - UNESP (1993), Mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP (2005) e Doutorado em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP/FCL - Ar. (2011). Professor Associado II, na Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, cadastrado ao Programa de Pós Graduação em Sociologia - ICHS/UFMT/Cuiabá. Coordeno o Núcleo de Pesquisa Libertas, o grupo de pesquisa em Gênero, Identidade e Sexualidade – GIS e o Laboratório de Antropologia e Sociologia - LABAS; Membro da Rede de Frente: Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres; Membro da Rede de Pesquisa, Ensino e Extensão em Educação nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil e na América Latina/RECONAL-Edu; No ensino atuo na área de Ciências Sociais, com ênfase em Sociologia e Antropologia e Metodologia da Pesquisa; na pesquisa atuo com os seguintes temas: gênero, identidades, sexualidades,decolonialidade, masculinidades, feminilidades e travestilidades, com intersecções no campo da saúde, educação, violência de gênero e direitos humanos; na extensão desenvolve ações envolvendo relação gênero, sexualidade e práticas educativas.

Referências

BENTO, Berenice. O que é transexualidade. São Paulo: Brasiliense, 2008.

BENTO, Berenice; PELÚCIO, Larissa. Despatologização do Gênero: A Politização das Identidades Abjetas. Revista de Estudos Feministas, Florianópolis, v. 20, n. 2, p. 256-256, 2012.

CURIEL, Ochy. Descolonizando el feminismo: una perspectiva desde América Latina y el Caribe. Bogotá: En la Frontera, 2013.

FERNANDES, Luís Antonio Bitante; HENNING, Carlos Eduardo. Existe uma diferença entre ser abandonada… e ser esquecida: percursos acerca das condições de vivência de travestis trabalhadoras do sexo durante a pandemia da Covid-19. Aceno – Revista de Antropologia do Centro-Oeste, Cuiabá, v. 11, n. 25, p. 337-360, jan./abr. 2024.

FERNANDES, Luís Antonio Bitante; BORGES, Àgueda Ap. da Cruz; LÔBO, Rodolfo P. B. Travestilidade às Avessas – a desconstrução de uma “paródia” identitária. Revista de Estudos Feministas, Florianópolis, 25(2): 562, maio-agosto/2017.

FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 8.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2014.

FOUCAULT, Michel. De espaços outros. Estudos Avançados, São Paulo, v. 27, n. 79, p. 113-122, 2013. Disponível em: https://revistas.usp.br/eav/article/view/68705. Acesso em: 14/09/2026.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 42. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.

HARVEY, David. O direito à cidade. Le Monde Diplomatique. Brasil, São Paulo, ano 2, n. 13, p. 24-25, ago. 2008.

HOOKS, bell. O feminismo é para todo mundo: políticas apaixonadas. Tradução de Ana Luiza Libânio. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2000.

JESUS, Jaqueline Gomes de. Orientações e identidade de gênero: um olhar para as travestis. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2012.

LEFEBVRE, Henri. O Direito à Cidade. Trad. Rubens Eduardo Frias. São Paulo: Centauro, 2001.

LUGONES, María. Colonialidade e gênero. Tabula Rasa, Bogotá, n. 9, p. 73-102, jul./dez. 2008.

MASSEY, Doreen. Space, Place and Gender. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1994.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. Tradução de Renata Santini. São Paulo: N-1 Edições, 2018.

ORLANDI, Eni de Lourdes Pucinelli. Análise do Discurso: princípios e procedimentos. 12. Ed. Campinas: Pontes, 2015.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, p. 227-278, 2005.

RODRÍGUEZ, Cristina; WINANT, Richard. The Right to the City in Latin America: A New Arena for the Left? Latin American Perspectives, Thousand Oaks, v. 38, n. 2, p. 109-125, mar. 2011.

SENNETT, Richard. Construir e habitar: ética para a cidade. Tradução de Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.

SIMAKAWA, Viviane Vergueiro. Considerações Transfeministas sobre Linguagem, Imaginação e Decolonialidade: A Identidade de Gênero como Categoria Analítica. Cadernos de Linguagem e Sociedade, Brasília, v. 21, n. 2, p. 453-471, 2020.

VIEIRA, Helena. A cisgeneridade compulsória e a branquitude: encruzilhadas coloniais no enfrentamento à transfobia. In: SIMAS, Luís Antonio; LOPES, Luiz Ricardo (Orgs.). Travessias: ensaios sobre transfeminismos e decolonialidade. Rio de Janeiro: Editora Telha, 2022. p. 123-145.

WALSH, Catherine. Interculturalidad y colonialidad del poder. Un pensamiento y posicionamiento “otro” desde la diferencia colonial. In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón (Comp.). El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores et al., 2007. p. 47-62.

WALSH, Catherine. Interculturalidade crítica e educação intercultural. 2009. Conferência apresentada no Seminário Interculturalidad y Educación Intercultural, Instituto Internacional de Integración del Convenio Andrés Bello, La Paz. Acesso em: 10 out. 2014.

WAYAR, Marlene. Travesti. Una teoría lo suficientemente Buena. Buenos Aires: Muchas Nueces, 2018.

YOUNG, Iris Marion. Justice and the Politics of Difference. Princeton: Princeton University Press, 1990.

Downloads

Publicado

07-10-2026

Como Citar

MARCADORES URBANOS DA DIFERENÇA:: travestis, feminismos decoloniais e a luta por outras cidades possíveis. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 9(24). https://doi.org/10.29327/