HIV E AIDS NAS MATRIZES CURRICULARES DOS CURSOS DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DE UNIVERSIDADES FEDERAIS GAÚCHAS:
compilando suas presenças e questionando suas ausências
DOI:
https://doi.org/10.29327/Palavras-chave:
Discursos; Currículo; Multiculturalidade.Resumo
Objetivamos neste artigo analisar as presenças e questionar os silêncios sobre o tema HIV e Aids nas matrizes curriculares dos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas de universidades federais do Rio Grande do Sul (RS), problematizando os discursos predominantes e suas implicações sociais, a partir de um olhar pós-moderno e uma perspectiva multicultural para o currículo. Partindo de um contexto histórico e epidemiológico, destacamos a persistência do estigma e da sorofobia, que afeta principalmente populações vulneráveis, como a comunidade LGBTQIAPN+, o que reforça as desigualdades no acesso à saúde e educação. Como metodologia, analisamos as matrizes curriculares de cinco universidades gaúchas, entendendo que o RS apresenta historicamente alta prevalência do vírus e um alto coeficiente de mortalidade em decorrência da Aids. Identificamos que apenas duas abordam o tema: a primeira com um discurso biomédico (ênfase em epidemiologia e prevenção) e a segunda com um discurso biopsicossocial (integrando aspectos socioculturais, gênero e vulnerabilidades). As ausências nos demais currículos revelam silenciamentos que podem perpetuar estigmas, preconceitos e ser coniventes com manutenção da cultura hegemônica, ao negligenciar outras culturas, como a homocultura, suas particularidades e vulnerabilidades em relação ao vírus. Defendemos uma abordagem multicultural e crítica, articulando saberes biomédicos, históricos e políticos e concluímos que tais omissões nas matrizes curriculares podem reforçar falhas estruturais históricas. Enquanto a inclusão do tema não for entendida como uma questão de saúde pública que afeta a todas as populações, pouco iremos avançar em discussões que contribuam para a redução de preconceitos e novas infecções.
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