Sofrimento que cura:
as encruzas entre hip hop, feminismo negro e psicologia comunitária nas escolas.
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-84Palavras-chave:
Hip-Hop; Contracolonialidade; Periferia; Feminismo Negro; Psicologia Comunitária.Resumo
O silenciamento da população negra é um projeto colonial de desumanização desses indivíduos e de negação da intelectualidade afrodiaspórica. Nas páginas desse texto discorremos sobre a experiência de oficinas produzidas com estudantes do ensino médio da rede pública de ensino do estado de Minas Gerais a partir da tecitura entre a cultura Hip Hop, o feminismo negro, as teorias contracoloniais e a psicologia comunitária, com o objetivo de produzir espaços de circulação e amplificação das vozes desses jovens sobre seus sonhos, seus territórios, suas histórias e suas vidas. Esse texto é parte de um projeto de extensão interdisciplinar composto por graduandos com trajetória popular que acessaram a Universidade Federal de Minas Gerais via políticas de ações afirmativas. Em curso desde 2024, esse projeto visa aproximar a universidade dos jovens que moram nas periferias urbanas da capital mineira e fazer circular as informações sobre políticas de acesso e permanência estudantil, bem como os saberes periféricos que fissuram as práticas epistemicidas que habitam na academia. Apresentamos os encontros entre jovens universitários e secundaristas em três atos que foram definidos a partir dos temas das oficinas: “O que escuto de quem canta?”;, “Penso, logo verso” e “Ilustrando nossos elementos”, que trabalharam com a identidade negra do Hip-Hop, a produção de versos autorais e a criação de grafites.
Downloads
Referências
AKOTIRENE, Carla. O que é Interseccionalidade: Feminismos plurais. São Paulo: Editora Pólen. 2019.
AMBROSIO, Leticia; SILVA, Carla. Racismo É Um Trauma Colonial: Diálogos Entre Frantz Fanon, Neusa Souza E Grada Kilomba Sobre O Adoecimento Negro No Brasil. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), [S. l.], v. 16, n. Edição Especial, 2023. Disponível em: https://abpnrevista.org.br/site/article/view/1549. Acesso em: 19 maio 2025.
BLANCO, Letícia de Souza; SOUZA, Elisabete Gonçalves. O grafite e a formação do espaço geográfico urbano: informação, educação e arte . Revista Geografia Literatura e Arte, [S. l.], v. 2, n. 1, p. 141–159, 2020. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2594-9632.geoliterart.2020.167946. Disponível em: https://revistas.usp.br/geoliterart/article/view/167946/164120. Acesso em: 19 maio 2025.
BORGES, Larissa Amorim. NAS PERIFERIAS DO GÊNERO: Transitando entre Hip Hop, Funk e FeminismoS. 2013. Dissertação de Mestrado em Psicologia - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013.
CAPÍTULO 4, versículo 3. Intérpretes: Racionais Mc’s. Compositor: Mano Brown IN: SOBREVIVENDO no Inferno. São Paulo: Cosa Nostra, 1997. Spotify. Disponível em: https://open.spotify.com/intl-pt/track/6Wt61AZLG0bN2KasopE2sj?si=0f79d31d839d4772. Acesso em: 19 maio 2025.
COLLINS, Patricia Hill. Aprendendo com a outsider within. Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, p. 99–127, jan. 2016.
COLLINS, Patrícia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. Trad.: Rane Souza.
São Paulo: Boitempo, 2020.
FERNANDES, Ana Claudia Florindo; MARTINS, Raquel; OLIVEIRA, Rosângela Paulino de. Rap nacional: a juventude negra e a experiência poético-musical em sala de aula. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, Brasil, n. 64, p. 183-200, ago. 2016. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v0i64p183-200. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rieb/a/JrmFLF39m5Wt8qcbjSSsnCx/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 23 maio. 2025.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 4 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1977
GADOTTI, Moacir. A escola e o professor: Paulo Freire e a paixão de ensinar. 1a. ed. São Paulo: Publisher Brasil, 2007.
GUIMARÃES, Samuel Novaes. Obaluaê, o médico entre os orixás. Trabalho de Conclusão de Curso: Universidade Federal De Juiz De Fora, 2017. Disponível em: https://www2.ufjf.br/bach//files/2016/10/SAMUEL-NOVAES-GUIMAR%c3%83ES.pdf. Acesso em: 19 maio 2025.
GOMES, Nilma Lino. Educação e Identidade Negra. Aletria: Revista de Estudos de Literatura, [S. l.], v. 9, p. 38–47, 2002. DOI: https://doi.org/10.17851/2317-2096.9..38-47. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/aletria/article/view/17912. Acesso em: 23 maio. 2025.
GONZAGA, Paula Rita Bacellar. “A gente faz arte pra não morrer”: Definições de si e de mundo a partir de produções de artistas negras lésbicas e bissexuais. 2022 . Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 4(15), 55–80. DOI: https://doi.org/10.31560/2595-3206.2021.15.12645. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/rebeh/article/view/12645. Acesso em: 23 maio. 2025.
HINKEL, Jaison; MAHEIRIE, Kátia. Rap-rimas afetivas da periferia: reflexões na perspectiva sócio-histórica. Psicologia & Sociedade, v. 19, n. spe2, p. 90–99, 2007. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-71822007000500024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/WTyX3kCtwMjpLT5jvJchnmr/abstract/?lang=pt. Acesso em: 19 maio 2025.
HINO. Intérpretes: DV TRIBO. Compositores: Djonga, FBC e Oreia. IN: HINO. Belo Horizonte: DVTRIBO, 2016. Spotify. Disponível em: https://open.spotify.com/intl-pt/track/3yDCWq0K2AXoQPCcTB3CoD?si=a3c9e95fb4154908. Acesso em: 19 maio 2025.
HIP hop é um fenômeno espiritual que veio para mudar o mundo, diz KL Jay - Ponte Jornalismo [por] KL Jay. [S. l.: s. n], 2023. 1 vídeo (36:31 min). Publicada pelo canal Ponte Jornalismo. Disponível em: https://youtu.be/h-FxGsExDAk?si=pv4q3mNzdKD-Ktc4. Acesso em: 19 maio 2025.
KINA. Intérprete: Mac Júlia. In: SUASÓRIA. Contagem: Produto Marginal, 2018. Spotify. Disponível em: https://open.spotify.com/intl-pt/track/2vLmJJ6JeAdAXzj4QwI0GM?si=c15e583c4e614bc4. Acesso em: 19 maio 2025.
LETRAMENTO. Intérprete: Gvtx e nabru. Compositor: Bruna Helena Fagundes de Oliveira. In: DESENREDO. São Paulo: Caixa de Areia Records, 2024. Spotify. Disponível em: https://open.spotify.com/intl-pt/track/4tBnv6eACee5ksGgSewlfU. Acesso em: 19 maio 2025.
LORDE, Audre. Irmã outsider: ensaios e conferências. Tradução: Stephanie Borges. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019.
MÁGICO de Oz. Intérprete: Racionais Mc’s. Compositor: Mano Brown Edi Rock. IN: SOBREVIVENDO no Inferno.. São Paulo: Cosa Nostra, 1997. Spotify. Disponível em: https://open.spotify.com/intl-pt/track/6G6FR1CEiuwkEbp33ryGAY?si=0d2c060c1f074ba0. Acesso em: 19 maio 2025.
MARTINS, Raquel Mendonça. O rap dos Racionais MC's em sala de aula como via de emancipação de jovens na periferia de São Paulo: análises de oficinas musicais com ênfase no rap. 2015. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. DOI: https://doi.org/10.11606/D.48.2015.tde-10122015-112405. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-10122015-112405/. Acesso em: 23 maio 2025.
MENEZES, Jaileila de Araújo. SILVA, Roseane Amorim da. Periferia é Periferia em qualquer lugar. In: Conselho Federal de Psicologia. Psicologia Brasileira na luta antiracista. Brasília: CFP, 2022. P. 298-323.
OLHO de Tigre. Intérpretes: Djonga, Malive, Pineapple Storm, TvSlim Beat. Compositor: Djonga, Malive, Slim Beat. IN: OLHO de Tigre. Belo Horizonte: Pineapple StormTv, 2017. Spotify. Disponível em: https://open.spotify.com/intl-pt/track/5QoA1Ttcfi1OVCgRLxsVZN?si=176c3babf9294c70. Acesso em: 19 maio 2025.
OLIVEIRA, Nathália Pereira de; PEDROZA, Regina Lúcia Sucupira; PULINO, Lúcia Helena Cavasin Zabotto. Escrevivências: possibilidades para uma educação antirracista. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro , v. 28, e280101, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/s1413-24782023280101. Disponível em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782023000100260&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 23 maio 2025.
PEREIRA, Carolina da Silva; SCHUCMAN, Lia Vainer. O lugar das práticas ártistico-culturais na constituição da negritude para negros/as de pele clara. Psicologia & Sociedade, v. 35, p. e277138, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1807-0310/2023v35e277138. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/Pv8gLKTsjsk8brkVW8QYNGp/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 23 maio 2025.
POSSO Mudar Meu Destino. Intérprete: LEALL e Tarcis. Compositor: LEALL. In: ESCULPIDO a Machado. [S. l.: s. n.], 2021. Spotify. Disponível em: https://open.spotify.com/intl-pt/track/45XTYx6BccqLIe0Jc8FD3B?si=35ac7788a6f244b0. Acesso em: 19 maio 2025.
QUEIROZ, Isabela Saraiva de; TONELI, Maria Juracy Filgueiras. Contribuições Decoloniais Para a produção De Conhecimento Por Pesquisadoras Em Contextos periféricos. Revista Periódicus v. 1 n. 19, p.134-150, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/article/view/52747/29716. Acesso em: 19 maio 2025.
RIBEIRO, Andreia da Silva. Conscientização e Emancipação em Paulo Freire. Sinergia. São Paulo. v. 19, n. 1, 2018. Disponível em: https://ojs.ifsp.edu.br/index.php/sinergia/article/view/304. Acesso em: 19 maio. 2025.
SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora, 2023.
SANTOS, Abrahão O. Epistemologias Negras: novas propostas para o ensino, a pesquisa e a extensão em Psicologia. In: Conselho Federal de Psicologia. Psicologia Brasileira na luta antiracista. Brasília: CFP, 2022. P. 344-359.
SIGNIFICAÇÕES da periferia: representações, confluências e transgressões [por] Antônio Bispo dos Santos. [S. l.: s. n] 2019. 1 vídeo (25:42 min). Publicado pelo canal UNIperiferias Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=RiKAU5oGgRE&ab_channel=UNIperiferias. Acesso em: 19 maio. 2025.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Como Citar
Licença
Copyright (c) 2026 O autor detém os direitos autorais do texto e pode republicá-lo desde que a REBEH seja devidamente mencionada e citada como local original de publicação.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A submissão de trabalho(s) científico(s) original(is) pelas pessoas autoras, na qualidade de titulares do direito de autoria do(s) texto(s) enviado(s) ao periódico, nos termos da Lei 9.610/98, implica na cessão de direitos autorais de publicação impressa e/ou digital à Revista Brasileira de Estudos da Homocultura (REBEH), do(s) artigo(s) aprovado(s) para fins da publicação, em um único número da Revista, autorizando-se, ainda, que o(s) trabalho(s) científico(s) aprovado(s) seja(m) divulgado(s) gratuitamente, sem qualquer tipo de ressarcimento a título de direitos autorais, por meio do site da Revista, para fins de leitura, impressão e/ou download do arquivo do texto, a partir da data de aceitação para fins de publicação. Portanto, as pessoas autoras, ao procederem à submissão do(s) artigo(s) à Revista e, por conseguinte, à cessão gratuita dos direitos autorais relacionados ao trabalho científico enviado, têm plena ciência de que não serão remuneradas pela publicação de seu manuscrito no periódico, independentemente da seção.
A Revista encontra-se licenciada sob a Licença Creative Commons 4.0 Internacional, para fins de difusão do conhecimento científico, conforme indicado no sítio da publicação.
No ato da submissão de seus artigos à REBEH, as pessoas autoras automaticamente aceitam e concordam expressamente com os termos da licença, que se aplica a todos os manuscritos publicados por esta Revista.

