YEDA BRONW E UM TEATRO CHAMADO RIVAL:
Cinelândia/Rio de Janeiro, década de 1960
DOI:
https://doi.org/10.29327/Palavras-chave:
Teatro Rival; Travestis; Subjetividades; Modos de existência; Rio de Janeiro.Resumo
Este artigo propõe uma reflexão histórica sobre a constituição de subjetividades e modos de existência travestis na cidade do Rio de Janeiro durante a década de 1960, tendo como eixo central as narrativas e escritas de si de Yeda Brown, uma das primeiras artistas travestis a atuar no Teatro Rival. Localizado na Cinelândia, região central da cidade do Rio de Janeiro, o Teatro Rival constituiu-se como importante espaço de produção artística e sociabilidade, favorecendo a emergência de novas relações consigo e com os outros, bem como de diferentes modos de existência. A partir das narrativas de Yeda Brown sobre si, sobre outras travestis e transformistas, sobre o teatro e sobre as relações nele forjadas, o artigo historiciza processos de produção subjetiva e de constituição de novas formas de vida, marcados simultaneamente por afetos, amizades e práticas de ajuda mútua, mas também por hierarquias, tensões, rivalidades e conflitos. Argumenta-se que o Teatro Rival não funcionou apenas como espaço de apresentação artística, mas também como condição de possibilidade para processos de autodeterminação, autoidentificação e autoexpressão travestis, participando da produção de outras formas de existência e de experiências coletivas de sociabilidade.
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