ENTRE NEGAÇÕES E INVENÇÕES:

escutas cartográficas sobre o acesso à saúde de pessoas LGBTQIAPN+

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/


Palavras-chave:

Cartografia; Saúde LGBTQIAPN+; Sistema Único de Saúde; LGBTQIAPN+.

Resumo

Este artigo apresenta uma cartografia que investigou as vivências e percepções de pessoas LGBTQIAPN+ em relação ao acesso aos serviços públicos de saúde no município de Montenegro/RS. O objetivo foi compreender como se dão os processos de subjetivação desses sujeitos a partir dos encontros com os dispositivos de saúde pública, mapeando tanto as potências quanto as barreiras que se atualizam nesses contextos. A cartografia possibilitou acompanhar os afetos, discursos, gestos e silêncios nos encontros com os participantes. Os dados foram produzidos por meio de rodas de conversa com pessoas LGBTQIAPN+ e analisadas a partir de uma perspectiva micropolítica, com base em autores como Foucault, Guattari, Rolnik e Mbembe. Os resultados apontam que o SUS é reconhecido como um espaço de cuidado e garantia de direitos, especialmente quando comparado ao setor privado. No entanto, também emergem experiências marcadas por preconceito, desinformação, negligência e práticas de normatização dos corpos dissidentes. Os relatos evidenciam desde violências explícitas até formas sutis de exclusão institucional. Conclui-se que essas barreiras não operam apenas no campo objetivo do acesso, mas atravessam a subjetividade, produzindo esgotamento, silenciamento e deslocamentos forçados. Apesar das limitações, os sujeitos também criam estratégias e linhas de fuga para sustentar seus modos de existir. A pesquisa contribui para o debate sobre a qualificação das práticas de saúde e reforça a importância de políticas públicas que considerem as singularidades da população LGBTQIAPN+ de forma afirmativa e efetiva.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Cristiane Davina Redin Freitas, Universidade de Santa Cruz do Sul

    Docente do Programa de Pós-graduação em Psicologia PPGPSI/UNISC (2019) e Docente do Curso de Psicologia da Universidade de Santa Cruz do Sul (desde 2014). É editora-chefe da PSI UNISC revista do Programa de Pós-graduação em Psicologia UNISC (desde 2017). Integra o Comitê de Ética em Pesquisa da UNISC (desde 2021). Integra o Grupo de Pesquisa: "Grupo de Estudos e Pesquisas em Envelhecimento e Cidadania" (desde 2015) e o Grupo de Pesquisa: "Processos clínicos, modos de subjetivação e políticas públicas" (desde 2014). Doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2014) com período de estágio sanduíche na Faculdade de Ciências da Educação da Universidade do Porto - Portugal (2012). Mestre em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2009). Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2006). Tem experiência em Docência no Ensino Superior, em Especialização Latu Sensu e Psicologia Clínica. Atuou como Psicóloga Social na Assistência Social de Porto Alegre (2009-2011). Realiza Pesquisa em Psicologia Social, Representações Sociais, Políticas Públicas e Gerontologia Social. 

  • João Franco do Nascimento Neto, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC

    Graduando em Psicologia pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC).

  • Airton Adolfo Vieira Lancini Junior, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC

    Graduando em Psicologia pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC).

Referências

BONET, Octavio. Itinerações e malhas para pensar os itinerários de cuidado: a propósito de Tim Ingold. Mana, Rio de Janeiro, v. 20, n. 2, p. 231-250-, 2014.

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC n.º 34, de 11 de agosto de 2014. Dispõe sobre as Boas Práticas no Ciclo do Sangue. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 ago. 2014. Disponível em: https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20170553/04145350-rdc-anvisa-34-2014.pdf. Acesso em: 15 set. 2024.

BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 19 nov. 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_saude_lesbicas_gays.pdf. Acesso em: 25 ago. 2024.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.707/GM/MS, de 18 de agosto de 2008. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Processo Transexualizador a ser empreendido em serviços de referência devidamente habilitados à atenção integral à saúde aos indivíduos que dele necessitem. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 ago. 2008. Disponível em: https://www.saude.mt.gov.br/storage/old/files/1707-[2875-120110-SES-MT].pdf. Acesso em: 15 set. 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.820, de 13 de agosto de 2009. Dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 14 ago. 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2009/prt1820_13_08_2009.html. Acesso em: 15 set. 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.803, de 19 de novembro de 2013. Redefine e amplia o Processo Transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União: Brasília, DF, 21 nov. 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt2803_19_11_2013.html. Acesso em: 15 set. 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Comitê Interministerial para a Eliminação da Tuberculose e de Outras Doenças Determinadas Socialmente. Diretrizes Nacionais do Programa Brasil Saudável: unir para cuidar. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/ciedds/publicacoes/diretrizes-nacionais-do-programa-brasil-saudavel-unir-para-cuidar.pdf. Acesso em: 25 ago. 2024.

BUTLER, Judith P. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade; tradução Renato Aguiar. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

COELHO, Gilson Gomes; DESIDÉRIO, Plábio Marcos Martins; ROCHA, Luisa Pereira. AFINAL, O QUE É A LGBTFOBIA? Revista Brasileira de Sexualidade Humana. 2023, v. 34, p. 1-9. Disponível em: https://www.rbsh.org.br/revista_sbrash/article/view/1115. Acesso em: 02 set. 2024.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Tradução de Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.

FAVRET-SAADA, Jeanne. Ser afetado. Tradução de Paula Siqueira. Cadernos de Campo, São Paulo, v. 13, n. 13, p. 155-161, 2005. Disponível em: https://revistas.usp.br/cadernosdecampo/pt_BR/article/view/50263/54376. Acesso em: 01 set. 2026.

FERREIRA, Breno de Oliveira; NASCIMENTO, Marcos. A construção de políticas de saúde para as populações LGBT no Brasil: perspectivas históricas e desafios contemporâneos. Ciência & Saúde Coletiva. 2022, v. 27, n. 10, p. 3825–3834. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/kKYtxMMmQnCrCSvfbrMnkDc/. Acesso em: 18 ago. 2024.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. 17. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2001.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 15. ed. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2023.

GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolíticas: cartografias do desejo. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. Tradução de Renata Santini. Revista Arte & Ensaios, n. 32, p. 122-151, dez. 2016.

NATIVIDADE, Marcelo; GUSSI, Alcides Fernando; SOUSA, Bruno Alves de; MONTEIRO, Caiala Mariana Quixadá. Avaliação da Política Sexual para a População LGBTQIA+: entre percepções de sujeitos/as e ações do Estado. Revista Brasileira de Estudos da Homocultura, Cuiabá, v. 4, n. 14, p. 364-392, 2021. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/rebeh/article/view/12322. Acesso em: 28 ago. 2024.

PASSOS, Eduardo; BARROS, Regina Benevides de. A cartografia como método de pesquisa-intervenção. In: PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana da (org.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2009, p. 17-31.

PORDEUS, Marcel Pereira; VIANA, Rosemary de Abreu. Feminismo, Desigualdade de Gênero e LGBTfobia: a interseccionalidade das minorias no Brasil. Conhecer: debate entre público e privado. 2021, v 11, n. 26, p. 114-130. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/revistaconhecer/article/view/4651. Acesso em: 02 ago. 2024.

ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. 2. ed. Porto Alegre: Sulina; Editora da UFRGS, 2011.

SIMONINI, Eduardo; ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. Transversalidade e esquizoanálise. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 24, n. 3, p. 915-929, dez. 2018. Disponível em: https://doi.org/10.5752/P.1678-9563.2018v24n3p915-929. Acesso em: 26 nov. 2024.

Downloads

Publicado

28-09-2026

Como Citar

ENTRE NEGAÇÕES E INVENÇÕES:: escutas cartográficas sobre o acesso à saúde de pessoas LGBTQIAPN+. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 9(24). https://doi.org/10.29327/