ENTRE O PROTOCOLO E O PORVIR:
narrativas trans e os limites da formação médica
DOI:
https://doi.org/10.29327/Palavras-chave:
Pessoas transgênero; Currículo; Faculdades de Medicina; Identidade de Gênero; Relato de experiência.Resumo
Afinal, o que há de útil em se estudar saúde sexual e diversidade de gênero no currículo médico? Quando nossas experiências como pessoas trans não encontram lugar na linguagem clínica, sobra o estranhamento de estar presente, mas não ser reconhecide. A recusa em aceitar que o cuidado só se efetiva diante de um sofrimento codificado se articula aqui com os saberes produzidos por movimentos sociais e coletivos trans, que há décadas tensionam as fronteiras entre ciência, corpo e autoridade. Através de relatos de experiências analisados numa perspectiva cartográfica e transfeminista, tencionamos a formação médica a partir de vivências trans de quem já ocupou os lugares de paciente, estudante e profissional da saúde. Revisitamos o currículo médico como território de disputas epistemológicas, onde a exclusão dessas temáticas sustenta práticas iatrogênicas e reafirma a cis-heteronormatividade como norma. Em diálogo com Foucault, Canguilhem, Haraway e Preciado, propomos uma medicina capaz de reconhecer a intraduzível pela linguagem médica como legítimo, não como erro ou desvio, mas como enunciação de um porvir. Convocamos uma reconfiguração radical do raciocínio clínico, onde a dissidência não seja exceção tolerada, mas fundação crítica de um outro modo de produzir ciência, cuidado e presença.
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