Paisagens psicossociais cinematográficas de uma infância trans: análise cartográfica fílmica de Tomboy
DOI:
https://doi.org/10.31560/2595-3206.2020.9.10208Resumo
Quando falamos em produção de subjetividades, o cinema ocupa um lugar de destaque nos agenciamentos macro e micropolíticos que nos territorializam e desterritorializam constantemente, pois, sendo composto por um contínuo entre realidade e ficção, esse dispositivo virtual se atualiza como um potente problematizador das relações que estabelecemos nos diferentes contextos sócio-histórico-políticos e culturais. Diante disso, este trabalho busca problematizar como o filme Tomboy (2011) apresenta as questões de gêneros, sexualidades, corporalidades e produção de subjetividades singulares/normativas na infância trans. Propomos, então, uma análise inspirada pela Filosofia da Diferença, pela epistemologia dos estudos de gêneros e pelos Estudos Queer visando as narrativas imagéticas, políticas, poéticas, éticas, afetivas e lúdicas das experiências e transversalidades da criança trans protagonista dessa obra cinematográfica francesa. Discutiremos a construção de corporalidade e as resistências e transgressões possíveis para uma criança que foge ao binarismo do sistema sexo/gênero e se produz em um campo possível em que os conceitos estanques de homem/masculino e mulher/feminino dificultam a expressão do desejo e construção de uma estilística da existência singular.
Downloads
Referências
AGAMBEN, Giorgio. Profanações. Trad. Selvino José Assmann. São Paulo: Boitempo, 2007.
BENTO, Berenice. A reinvenção do corpo: sexualidade e gênero na experiência transexual. Rio de Janeiro: Garamond Universitária, 2006.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
BUTLER, Judith. A vida psíquica do poder: teorias da sujeição. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.
______. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
______. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Trad. Renato Aguiar. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.
______. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? Trad. Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão e Arnaldo Marques da Cunha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.
______. Vida precária: os poderes do luto e da violência. Trad. Andreas Lieber. Belo Horizonte: Autêntica, 2019.
CASTAÑEDA, Marina. Comprendre l'homosexualité: des clés, des conseils pour les homosexuels, leurs familles, leurs thérapeutes. (Collection Réponses) Paris: Editions Robert Laffont, 1999.
CORNEJO, Giancarlo. Por uma pedagogia queer da amizade. Trad. Juliana Frota da Costa Coelho. Áskesis, v.4, n.1, 2015. p. 130-142. Disponível em: http://www.revistaaskesis.ufscar.br/index.php/askesis/article/view/47. Acesso em: 25 mar. 2020.
______. La guerra declarada contra el niño afeminado. In: Seminário Internacional Fazendo Gênero, 9, Santa Catarina. Anais eletrônicos. 2010. Disponível em: http://www.fazendogenero.ufsc.br/9/resources/anais/1278291734_ARQUIVO_giancarlocornejoFazendogenero.pdf. Acesso em: 25 mar. 2020.
CORSARO, William. Métodos etnográficos no estudo da cultura de pares e das transições iniciais na vida das crianças: diálogos com William Corsaro. In: MULLER, Fernanda; CARVALHO, Ana Maria Almeida (Org.). Teoria e prática na pesquisa com crianças. São Paulo: Cortez, 2009.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Introdução: Rizoma. In: ______. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia, v.1. Trad. Aurélio Guerra Neto. Rio de Janeiro: 34, 1995, p. 11-37.
______. O Anti-Édipo. Lisboa: Assírio & Alvim, 1996.
FOUCAULT, Michel. A coragem da verdade: o governo de si e dos outros II: curso no Collège de France (1983-1984). Trad. Eduardo Brandão. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.
______. A ética do cuidado de si como prática da liberdade. In: MOTTA, Manoel Barros da. Foucault: ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Forense, 2006. p. 264-287.
______. O cuidado com a verdade. In: ______ Ética, sexualidade, política – Ditos e Escritos V. Organização e seleção de textos de Manuel Barros da Motta. Trad. Elisa Monteiro e Inês Autran Dourado Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004a, p. 240-251.
______. Polêmica, Política e Problematizações. In: ______ Ética, sexualidade, política – Ditos e Escritos V. Organização e seleção de textos de Manuel Barros da Motta. Trad. Elisa Monteiro e Inês Autran Dourado Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004b, p. 225-233.
FURLAN, Cássia Cristina; SANTOS, Patrícia Lessa dos. Futebol feminino e as barreiras do sexismo nas escolas: reflexões acerca da invisibilidade. Motriviência, Florianópolis, ano 20, n. 30, 2008. p. 28-43. Disponível em: https://doi.org/10.5007/2175-8042.2008n30p28. Acesso em: 22. fev. 2019.
GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. 7. ed. revisada. Petrópolis: Vozes, 2005.
HARAWAY, Donna. A partilha do sofrimento: relações instrumentais entre animais de laboratório e sua gente. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, 2011. p. 27-64.
______. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Trad. Mariza Corrêa. Cadernos Pagu. v.5. Campinas: Unicamp, 1995a, p. 07-41. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773. Acesso em: 7. mar. 2019.
______. Ciencia, cyborgs y mujeres: la reinvención de la naturaleza. Cátedra. Universitat de València - Instituto de la mujer. Madrid. 1995b.
______. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX‖. In: TOMAZ, Tadeu (org). Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Trad. Tomaz Tadeu da Silva. Belo Horizonte: Autêntica, 2000, p. 37-129.
LAURETIS, Teresa de. A tecnologia de gênero. In: HOLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica cultural. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. p. 206-242.
LOURO, Guacira Lopes. Corpo, escola e identidade. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 2, n. 25, jun. 2000a. p. 59-76. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/educacaoerealidade/article/view/46833. Acesso em: 12 abr. 2019.
______. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
______. Pedagogias da Sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes (Org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Tradução: Tomaz Tadeu da Silva. Belo Horizonte: Autêntica, 2000b.
MISKOLCI, Richard. Pânicos morais e controle social: reflexões sobre o casamento gay. Cadernos Pagu, n. 28, 2007, p. 101-128. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-83332007000100006. Acesso em: 10. set. 2019.
______. Teoria queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.
MOURA, Eriberto Lessa. O futebol como área reservada masculina. In: DAOLIO, Jocimar (Org.). Futebol, cultura e sociedade. Campinas: Autores Associados, 2005. p. 131-147.
NOGUEIRA, Conceição. Interseccionalidade e psicologia feminista. Salvador: Editora Devires, 2017.
OLIVEIRA, Nielmar de. Mulher ganha em média 79,5% do salário do homem, diz IBGE. 2019a. Agência Brasil. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2019-03/mulheres-brasileiras-ainda-ganham-menos-que-os-homens-diz-ibge. Acesso em: 8 mar. 2019.
______. Pesquisa do IBGE mostra que mulher ganha menos em todas as ocupações: a diferença entre carga horária trabalhada vem diminuindo. 2019b. Agência Brasil. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-03/pesquisa-do-ibge-mostra-que-mulher-ganha-menos-em-todas-ocupacoes. Acesso em: 8 mar. 2019.
PRECIADO, Paul Beatriz. Multidões queer: notas para uma política dos “anormais”. Florianópolis: Estudos Feministas, 2011.
______. Quem defende a criança queer? Trad. Fernanda Ferreira Marcondes Nogueira. Revista Jangada, Viçosa-MG, n. 1, jan-jun. 2013. p. 96-99. Disponível em: https://www.revistajangada.ufv.br/Jangada/article/view/17. Acesso em: 18 jul. 2019.
ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Porto Alegre: Sulina; UFRGS, 2007.
ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. A cartografia e a relação pesquisa e vida. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Belo Horizonte: Psicologia & Sociedade, 2009. p. 166-173. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-71822009000200003
Acesso em: 12 fev. 2019.
RUBIN, Gayle. El tráfico de mujeres: notas sobre la economía política del sexo. Trad. Stella Mastrangelo. In: LAMAS, Martha (Comp.). El gênero: la construcción cultural de la diferencia sexual. 3. ed. México: Miguel Ángel Porrúa: Programa Universitario de Estudios de Género - UNAM, 2003. p. 35-96.
SCHÉRER, René; HOCQUENGHEM, Guy. Álbun sistemático de la infância. Barcelona: Anagrama, 1979.
SEDGWICK, Eve Kosofsky. A epistemologia do armário. Cadernos Pagu, n. 28, Campinas: Unicamp, 2007. p. 19-54. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-83332007000100003. Acesso em: 26 fev. 2019.
SOIHET, Rachel. História, mulheres, gênero: contribuições para um debate. In: AGUIAR, Neuma (Org.). Gênero e Ciências Humanas: desafio às ciências desde a perspectiva das mulheres. Rio de Janeiro: Record/Rosa dos Tempos, 1997.
TOMBOY. Direção: Céline Sciamma. Produção: Bénédicte Couvreur. França: Hold Up Films, 2011, (82 min). Disponível em https://www.imdb.com/title/tt1847731/?ref_=nv_sr_2. Acesso em: 25 mar. 2020.
WELZER-LANG, Daniel. A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia. Florianópolis: Revista Estudos Feministas, v. 9, n. 2, 2001. p. 452-468. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0104-026X2001000200008. Acesso em: 28. jun. 2019.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Como Citar
Licença
Copyright (c) 2020 O autor detém os direitos autorais do texto e pode republicá-lo desde que a REBEH seja devidamente mencionada e citada como local original de publicação.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A submissão de trabalho(s) científico(s) original(is) pelas pessoas autoras, na qualidade de titulares do direito de autoria do(s) texto(s) enviado(s) ao periódico, nos termos da Lei 9.610/98, implica na cessão de direitos autorais de publicação impressa e/ou digital à Revista Brasileira de Estudos da Homocultura (REBEH), do(s) artigo(s) aprovado(s) para fins da publicação, em um único número da Revista, autorizando-se, ainda, que o(s) trabalho(s) científico(s) aprovado(s) seja(m) divulgado(s) gratuitamente, sem qualquer tipo de ressarcimento a título de direitos autorais, por meio do site da Revista, para fins de leitura, impressão e/ou download do arquivo do texto, a partir da data de aceitação para fins de publicação. Portanto, as pessoas autoras, ao procederem à submissão do(s) artigo(s) à Revista e, por conseguinte, à cessão gratuita dos direitos autorais relacionados ao trabalho científico enviado, têm plena ciência de que não serão remuneradas pela publicação de seu manuscrito no periódico, independentemente da seção.
A Revista encontra-se licenciada sob a Licença Creative Commons 4.0 Internacional, para fins de difusão do conhecimento científico, conforme indicado no sítio da publicação.
No ato da submissão de seus artigos à REBEH, as pessoas autoras automaticamente aceitam e concordam expressamente com os termos da licença, que se aplica a todos os manuscritos publicados por esta Revista.

