CHAMADA DE ARTIGOS Dossiê temático: Retomadas e re-existências indígenas, negras e quilombolas

2021-01-12

Este dossiê temático da ACENO tem como objeto as territorialidades e processos de identificação negras, quilombolas e indígenas. A proposta busca chamar a atenção para processos de identificação e territorialização que forneçam perspectivas adicionais às análises consolidadas que se dedicaram às tradições, à etnogênese e às situações de fronteiras étnicas, mais afeitos às mediações com o Estado-nação, que privilegiaram as relações políticas, agentes e agência da burocracia.

Um movimento renovado de coletivos indígenas, quilombolas e negros tem revisitado tais abordagens mediante a crítica sistemática aos padrões eurocentrados, brancos e coloniais que produziram a invisibilização sistemática do que esses movimentos consideram relevantes. Dentre essas, categorias como “retomada” e “resistência” – não apenas como reação mas como re-existência – territorial e existencial são fundamentais quando tomadas como conceitos que descrevem diferentes vínculos entre actantes dos mais diversos modos de existência.

A proposta privilegiará a publicação de etnografias e reflexões teóricas acerca desse novo cenário no qual entes produzem reflexões cosmopolíticas e modos de agir com (ou contra) o Estado-nação de modos antes insuspeitos. Espera-se que as contribuições contemplem a diversidade regional, étnico-racial e de gênero, bem como contribuições dos povos originários e povos e comunidades tradicionais.

Trata-se de consolidar olhares não pela via da memória ou da prova, mas pela cosmologia e relacionalidade estendida a todos existentes, recuperando algo dado como perdido ou inexistente. Pretende-se de sublinhar identificações e territorialidades que encontram novas maneiras de se expressar, retomando terras, práticas, contato com seres, objetos, linguagens sem que essas nunca tenham sido perdidas de fato.

 

Prazo final de submissão: 30 de abril de 2021.

 

Sobre os/as coordenadorxs:

 

Cauê Fraga Machado

Realiza, atualmente, estágio de pós-doutorado no PPGAS/UFRGS, estando vinculado como pesquisador ao NUPACS (Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde). Doutor (2018) e mestre (2013) em Antropologia Social pelo PPGAS - Museu Nacional/UFRJ. Tem experiência etnográfica com comunidades remanescentes de quilombos no Ceará, onde realizou trabalho de campo no doutorado, e no Rio Grande do Sul, onde pesquisa desde a graduação. Além disso, possui trabalho etnográfico junto ao Batuque (religião afro-brasileira do Rio Grande do Sul). Seus interesses incluem estudos em antropologia da religião, da política, das populações quilombolas e tradicionais, da alimentação e da morte.

 

Sandro José da Silva

Professor adjunto na Universidade Federal do Espírito Santo na graduação em Ciências Sociais e nos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Direito. Doutor em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (2021), mestre em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (1999) e bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo (1997). Membro do Comitê de Quilombos da Associação Brasileira de Antropologia. Desenvolve projetos de pesquisa e extensão sobre relações étnico-raciais, patrimônio cultural e direitos humanos. É consultor da temática povos e comunidades tradicionais.

 

Sônia Regina Lourenço

Professora associada no Departamento de Antropologia, na graduação em Ciências Sociais e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso. Graduada (Licenciatura e Bacharelado) em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná (1999). Mestre em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Paraná (2001). Doutora em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (2009). Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social - Museu Nacional/UFRJ (2019-2020). Integra o Instituto Brasil Plural- INCT/PPGAS/UFSC/UFAM. Tem experiência etnográfica com o povo indígena Javaé (Itya Mahãdu), da Ilha do Bananal, Tocantins e com comunidades quilombolas no estado de Mato Grosso. Desenvolve projetos de pesquisa e extensão nas áreas de Etnologia Afro-brasileira, Etnologia Indígena e Antropologia da Arte.