Interseccionalidade e a experiência de gays negros na Educação Física universitária: disputas por espaço

Autores

  • Adão Rodrigues Sousa
  • Majô Cristine Lopes Dias

Resumo

Nas últimas décadas, a Educação Física universitária passou a incorporar debates sobre gênero, raça e sexualidade, tensionando tradições biologicistas e normativas que historicamente organizaram o campo. Contudo, tais avanços não têm produzido, necessariamente, uma inflexão epistemológica consistente. A produção científica da área ainda opera, em grande medida, por meio da fragmentação dos marcadores sociais, o que contribui para o obscurecimento sistemático das experiências de sujeitos interseccionalmente localizados, como gays negros. Este trabalho analisa criticamente o estado da arte da produção científica da Educação Física acerca das experiências de gays negros na formação universitária, tomando as disputas por espaço ( físico, simbólico, curricular e epistemológico) como eixo interpretativo. Fundamentado no feminismo negro, nos estudos de gênero e sexualidade e na interseccionalidade, especialmente a partir de Crenshaw, Collins, Akotirene e Louro, o estudo adota abordagem qualitativa, de natureza básica e caráter exploratório, desenvolvida por meio de revisão narrativa de literatura, com análise de quatro estudos publicados entre 2020 e 2025. Os resultados evidenciam que a interseccionalidade é frequentemente mobilizada como recurso conceitual, mas raramente assumida como princípio estruturante da análise. A centralidade das experiências de gays negros permanece periférica ou episódica, revelando não apenas lacunas temáticas, mas mecanismos de silenciamento epistemológico no campo. Conclui-se que fortalecer abordagens interseccionais implica reconfigurar critérios de legitimação científica e tensionar os regimes de produção do conhecimento na Educação Física universitária.

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Publicado

2026-03-03

Como Citar

Sousa, A. R. ., & Lopes Dias, M. C. . (2026). Interseccionalidade e a experiência de gays negros na Educação Física universitária: disputas por espaço. Revista Panorâmica Online, 51(1), 97–114. Recuperado de https://periodicoscientificos.ufmt.br/revistapanoramica/index.php/revistapanoramica/article/view/1885