Protocolo Ético da Rede Arandu:
Pesquisa Colaborativa com Povos Indígenas LGBTQIAPN+
DOI:
https://doi.org/10.29327/2889312.8.23-6Palavras-chave:
ética em pesquisa; decolonialidade; povos indígenas; interseccionalidade; LGBTQIAPN+.Resumo
Este artigo apresenta o Protocolo Ético da Rede Arandu, uma proposta feminista e descolonial para pesquisas colaborativas com povos indígenas LGBTQIAPN+. Argumentamos que a superação do extrativismo acadêmico exige diretrizes éticas que geram uma reconfiguração radical das relações entre pesquisadoras e comunidades, baseada em reciprocidade, escuta ativa e compromisso político. Metodologicamente, o protocolo foi elaborado por meio de oficinas participativas com pesquisadoras indígenas e não indígenas, integrando críticas pós-coloniais, epistemologias feministas e escutando sugestões de representantes do movimento indígena. O artigo está estruturado em três seções: (1) uma reflexão metodológica sobre o processo de construção do protocolo ético, destacando os fundamentos teóricos, políticos e epistêmicos que o informam, ancorados nos argumentos de Janyst & Ball, Linda Tuhiwai Smith, María Lugones e Rita Segato; (2) uma apresentação analítica do conteúdo do protocolo, discutindo seus princípios, eixos estruturantes e orientações práticas, como consentimento contínuo e devolutiva estratégica; (3) um debate sobre as contribuições da iniciativa para investigações acadêmicas e os desafios que se impõem à consolidação de uma ética pautada na justiça social. Concluímos que o protocolo não é somente um instrumento metodológico, mas um dispositivo político que vincula a produção de conhecimento às lutas por justiça ontoepistêmica, redefinindo o sentido da pesquisa como prática coletiva, situada e engajada.
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