A sala de aula como ginga:
sobre as experiências de “tornar-se homem”, “virar viado” e de construir o conhecimento em roda
DOI:
https://doi.org/10.29327/2889312.8.23-4Palavras-chave:
Aula, Gênero, Ginga, Homem, RodaResumo
Este ensaio propõe pensar a sala de aula como uma roda, lugar de troca, vulnerabilidade e construção coletiva do conhecimento. Partindo de uma memória de infância na qual eu, ainda criança, brincava de ser professor, a narrativa se entrelaça a experiências pedagógicas vividas em disciplinas sobre estudos de gênero e raça em perspectiva interseccional lecionadas em universidades brasileiras nos últimos anos. A metáfora da ginga - emprestada da capoeira - é central para compreender o modo como o ensino pode ser lúdico, político, afetivo e ético, abrindo espaço para o corpo, a emoção e a escuta. Inspirado por autores como bell hooks, Paulo Freire, Wilson Barbosa, Gilles Deleuze e Emmanuel Lévinas, o texto defende a organização da sala em formato de roda como prática descentralizadora do poder, legitimadora da experiência vivida como modo de conhecer, e como forma de construir comunidades de aprendizagem diante do Outro que nos interpela. Através de relatos de aula, especialmente sobre as discussões em torno das masculinidades e da diferença, argumento que o conhecimento pode ser construído a partir da escuta atenta, do silêncio eloquente e do enfrentamento das tensões. A roda torna-se, assim, um espaço sagrado de convivência com o Outro, onde a ginga é necessária para lidar com conflitos, afetos e saberes diversos. Com este ensaio, proponho pensar a ginga como uma ferramenta epistêmica e pedagógica que nos leva a compreender que ensinar e aprender em roda exige presença de corpo inteiro e disposição para se afetar, habitar a vulnerabilidade e construir, em comunidade, um conhecimento em constante movimento.
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