Narrar a si gay, infâncias e educações: violações quantificadas-naturalizadas
DOI:
https://doi.org/10.31560/2595-3206.2020.9.10268Resumo
Neste manuscrito temos por objetivo diagnosticar tecnologias de poder e resistências gays em narrativas de si de dois jovens referente a seu percurso educacional na educação básica na constituição de sua infância. Para tal, parte-se da perspectiva das heteroautobiografias, em que se narram dois jovens gays licenciandos sobre suas infâncias e a constituição memorística de si em seu processo do reconhecer-se em sua trajetória formativa. Tais narrativas são registradas bricoladas sob um olhar hermenêutico de inspirações em Michel Foucault e Friedrich Nietzsche. As analíticas são organizadas em três eixos: a) A construção dos cacos narrativos, em que se dão indicativas dos percursos teórico-metodológicos; b) Violências quantificáveis, traçando a identificação da violência para com corpos gays na infância como violações menores e menos significativas; e c) (A)Normalidade e (não)percepção, como linhas de constituição da criança gay enquanto o substratum de escolha identitária e possibilidade de ser violado via tecnologia de poder da coerção – que invisibiliza o si ao si e ao Outro.Downloads
Referências
BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
CATANI, Denice Barbosa. Autobiografia como saber e a educação como invenção de si. In: SOUZA, Elizeu Clementino; ABRAHÃO, Maria Helena Menna Barreto. Tempos, narrativas e ficções: a invenção de si. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2006, p.77-87
FISCHER, Rosa Maria Bueno. Foucault e a analise de discurso em educação. Cadernos de Pesquisa, (114), 2001, p.197-223
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
__________. História da sexualidade III: O cuidado de si. São Paulo: Paz e Terra, 2014a.
__________. Vigiar e punir: Nascimento da prisão. 42 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2014b.
__________. História da sexualidade I: A vontade de saber. 3 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2015.
GOODSON, Ivor F. Currículo: teoria e história. 8 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2008.
NIETZSCHE, Friedrich. Ecce homo: como cheguei a ser o que sou. 4 ed. São Paulo: Brasil Editora, 1959
__________. Escritos sobre educação. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio: Loyola, 2004.
__________. Sobre verdade e mentira. São Paulo: Hedra, 2008.
__________. Genealogia da moral: uma polêmica. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
__________. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Porto Alegre: L&PM, 2016
PACHECO, Dirceu Castilho. Arquivos pessoais de praticantes docentes: espaçostempos do (auto)biográfico. In: BARBOSA, Raquel Lazzari Leite; PINAZZA, Mônica Appezato (Orgs). Modos de narra a vida: cinema, fotografia, literatura e educação. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010, p. 35-50.
RAGO, Margareth. A aventura de contar-se: Feminismos, escrita de si e invenções da subjetividade. Campinas, SP: Unicamp, 2013.
REGO, Teresa Cristina; AQUINO, Julio Groppa; OLIVEIRA, Marta Khol. Narrativas autobiográficas e constituição de subjetividades. In: SOUZA, Elizeu Clementino. Autobiografias, histórias de vida e formação: pesquisa e ensino. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2006, p. 269-286
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
__________. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Belo Horizonte, Autentica, 2006.
VERALDO, Ivana. Tensões no espaço escolar: violências, bullying, indisciplina e homofobia. Maringá: Eduem, 2014.
WEEKS, Jefrey. O corpo e a sexualidade. In: LOURO, Guacira Lopes. O corpo educado: pedagogia da sexualidade. 3 ed. Belo Horizonte: Autentica, 2015, p. 35-82
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Como Citar
Licença
Copyright (c) 2020 O autor detém os direitos autorais do texto e pode republicá-lo desde que a REBEH seja devidamente mencionada e citada como local original de publicação.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A submissão de trabalho(s) científico(s) original(is) pelas pessoas autoras, na qualidade de titulares do direito de autoria do(s) texto(s) enviado(s) ao periódico, nos termos da Lei 9.610/98, implica na cessão de direitos autorais de publicação impressa e/ou digital à Revista Brasileira de Estudos da Homocultura (REBEH), do(s) artigo(s) aprovado(s) para fins da publicação, em um único número da Revista, autorizando-se, ainda, que o(s) trabalho(s) científico(s) aprovado(s) seja(m) divulgado(s) gratuitamente, sem qualquer tipo de ressarcimento a título de direitos autorais, por meio do site da Revista, para fins de leitura, impressão e/ou download do arquivo do texto, a partir da data de aceitação para fins de publicação. Portanto, as pessoas autoras, ao procederem à submissão do(s) artigo(s) à Revista e, por conseguinte, à cessão gratuita dos direitos autorais relacionados ao trabalho científico enviado, têm plena ciência de que não serão remuneradas pela publicação de seu manuscrito no periódico, independentemente da seção.
A Revista encontra-se licenciada sob a Licença Creative Commons 4.0 Internacional, para fins de difusão do conhecimento científico, conforme indicado no sítio da publicação.
No ato da submissão de seus artigos à REBEH, as pessoas autoras automaticamente aceitam e concordam expressamente com os termos da licença, que se aplica a todos os manuscritos publicados por esta Revista.

