O chão que nos reexiste: criação do almanaque trans como prática pedagógica de resistência e cuidado na educação básica
DOI:
https://doi.org/10.29327/Keywords:
educação transinclusiva, epistemologias travestis, autoatualização docenteAbstract
Este artigo é um resultado da apresentação do relato de pesquisa, da pesquisa de mestrado em desenvolvimento, no congresso CINABETH2025, quanto ao processo de criação do Almanaque Trans, material autoatualizador desenvolvido no âmbito de uma pesquisa de mestrado profissional em andamento, voltado à autoatualização docente e à promoção de práticas transinclusivas na educação básica. A proposta articula teorias críticas e pós-críticas da educação, pedagogias feministas, pós-coloniais e transviades, fundamentadas em autoras como bell hooks, Paulo Freire, Judith Butler, Letícia Nascimento e Megg Rayara, além de narrativas biográficas e autobiográficas de pessoas trans, travestis e não-bináries (TTNB+), compreendidas como epistemologias encarnadas. Amparado na metáfora de Lya Luft, “a infância é um chão que a gente pisa a vida inteira”, o artigo analisa como vivências de exclusão escolar moldam esse “chão”, mostrando que a escola não é apenas cenário, mas agente histórico que produz e reinscreve desigualdades. A metodologia da pesquisa responde ao avanço de discursos antigênero, à recusa institucional de pesquisas conduzidas por uma travesti e aos riscos de extrativismo epistemológico sobre corpos dissidentes. O Almanaque Trans emerge como gesto de resistência e cuidado, reunindo textos teóricos acessíveis, glossários, checklists, dinâmicas pedagógicas e contranarrativas destinadas à formação de toda a comunidade escolar. Conclui-se que epistemologias travestis, ao orientarem práticas de formação docente, operam como instrumentos de reexistência política e pedagógica, contribuindo para reconstruir o “chão da infância” em bases mais emancipadoras.
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