Protocolo Ético da Rede Arandu:

Pesquisa Colaborativa com Povos Indígenas LGBTQIAPN+

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/


Palavras-chave:

ética em pesquisa; decolonialidade; povos indígenas; interseccionalidade; LGBTQIAPN+.

Resumo

Este artigo apresenta o Protocolo Ético da Rede Arandu, uma proposta feminista e descolonial para pesquisas colaborativas com povos indígenas LGBTQIAPN+. Argumentamos que a superação do extrativismo acadêmico exige diretrizes éticas que geram uma reconfiguração radical das relações entre pesquisadoras e comunidades, baseada em reciprocidade, escuta ativa e compromisso político. Metodologicamente, o protocolo foi elaborado por meio de oficinas participativas com pesquisadoras indígenas e não indígenas, integrando críticas pós-coloniais, epistemologias feministas e escutando sugestões de representantes do movimento indígena. O artigo está estruturado em três seções: (1) uma reflexão metodológica sobre o processo de construção do protocolo ético, destacando os fundamentos teóricos, políticos e epistêmicos que o informam, ancorados nos argumentos de Janyst & Ball, Linda Tuhiwai Smith, María Lugones e Rita Segato; (2) uma apresentação analítica do conteúdo do protocolo, discutindo seus princípios, eixos estruturantes e orientações práticas, como consentimento contínuo e devolutiva estratégica; (3) um debate sobre as contribuições da iniciativa para investigações acadêmicas e os desafios que se impõem à consolidação de uma ética pautada na justiça social. Concluímos que o protocolo não é somente um instrumento metodológico, mas um dispositivo político que vincula a produção de conhecimento às lutas por justiça ontoepistêmica, redefinindo o sentido da pesquisa como prática coletiva, situada e engajada. 

 

Biografia do Autor

  • TCHELLA MASO, UNB

    Tchella Maso é doutora em Estudos Feministas e de Gênero e professora de Relações Internacionais na Universidade de Brasília. Coordena a rede de pesquisa Arandu: Povos Indígenas, Gênero e Sexualidades e é pesquisadora do INCT Caleidoscópio: Instituto de Estudos Avançados em Iniquidades, Desigualdades e Violências de Gênero e Sexualidade e suas Múltiplas Insurgências. Seu trabalho se concentra em abordagens feministas decoloniais e nas interseções entre gênero, raça, etnia e espiritualidade na América Latina, por meio de práticas de pesquisa colaborativas e politicamente engajadas.

  • Yara Martinelli, Associação Brasileira de Municípios.

    Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2025). Bolsista CAPES. Bacharela em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (2017-2022) Pesquisadora pelos Direitos da Natureza, em Sustentabilidade e Agenda 2030 - com foco em equidade de gênero e erradicação da pobreza. Consultora em sustentabilidade, financiamento climático e promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em municípios. Investigadora acadêmica pelos direitos indígenas, especialmente ao território, e pela valorização das cosmopraxis indígenas latino-americanas. Pesquisadora da política indigenista brasileira.

  • Alessandra Prates, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

    Doutoranda no Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Rural (UFRGS).Mestre em Política Internacional no Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais, (UFRGS). Foi mestranda do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na linha de pesquisa: Planejamento e Espaço Urbano e Regional, trabalhando as relações da globalização no espaço urbano. Possui experiência nas áreas de Política Internacional Ambiental, Povos Indígenas e Relações Internacionais, Mudanças Climáticas e as relações entre o Rural e o Urbano. Atualmente integra três grupos de pesquisa, sendo eles: Política Ambiental Global e Povos Indígenas (grupo de pesquisa em nível federal com parceria entre diversas universidades brasileiras), Grupo de Estudos sobre a Amazônia e Relações Internacionais (GEAPRI) e do Grupo de Pesquisa de Relações Internacionais e Meio Ambiente (GERIMA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, grupo ligado a Faculdade de Ciências Econômicas e Relações Internacionais e recentemente atua na elaboração de um dossiê de políticas indígenas LGBTQIAP+ . Áreas de interesse: Povos Indígenas, Desenvolvimento Rural, Política Internacional e Relações Internacionais.

  • Giorgio Cristofani, Fundação Oswaldo Cruz

    Mestre em Relações Internacionais pelo Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (IRI/PUC-Rio). Graduado em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Pesquisador e coordenador de campo do projeto de pesquisa Conexão Saúde Alto Xingu, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com bolsa de pesquisa da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec). Membro do grupo de pesquisa Política Global e Povos Indígenas, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Pesquisador do projeto de pesquisa de base comunitária em saúde e povos indígenas (ISARIC Network - Tulane University). Professor voluntário de política e atualidades do Cursinho Popular MTST.

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Publicado

13-07-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático: Dar fim a pesquisa como conhecemos

Como Citar

Protocolo Ético da Rede Arandu:: Pesquisa Colaborativa com Povos Indígenas LGBTQIAPN+. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/