A sala de aula como ginga:

sobre as experiências de “tornar-se homem”, “virar viado” e de construir o conhecimento em roda

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/


Palavras-chave:

Aula, Gênero, Ginga, Homem, Roda

Resumo

Este ensaio propõe pensar a sala de aula como uma roda, lugar de troca, vulnerabilidade e construção coletiva do conhecimento. Partindo de uma memória de infância na qual eu, ainda criança, brincava de ser professor, a narrativa se entrelaça a experiências pedagógicas vividas em disciplinas sobre estudos de gênero e raça em perspectiva interseccional lecionadas em universidades brasileiras nos últimos anos. A metáfora da ginga - emprestada da capoeira - é central para compreender o modo como o ensino pode ser lúdico, político, afetivo e ético, abrindo espaço para o corpo, a emoção e a escuta. Inspirado por autores como bell hooks, Paulo Freire, Wilson Barbosa, Gilles Deleuze e Emmanuel Lévinas, o texto defende a organização da sala em formato de roda como prática descentralizadora do poder, legitimadora da experiência vivida como modo de conhecer, e como forma de construir comunidades de aprendizagem diante do Outro que nos interpela. Através de relatos de aula, especialmente sobre as discussões em torno das masculinidades e da diferença, argumento que o conhecimento pode ser construído a partir da escuta atenta, do silêncio eloquente e do enfrentamento das tensões. A roda torna-se, assim, um espaço sagrado de convivência com o Outro, onde a ginga é necessária para lidar com conflitos, afetos e saberes diversos. Com este ensaio, proponho pensar a ginga como uma ferramenta epistêmica e pedagógica que nos leva a compreender que ensinar e aprender em roda exige presença de corpo inteiro e disposição para se afetar, habitar a vulnerabilidade e construir, em comunidade, um conhecimento em constante movimento.

Biografia do Autor

  • Vinícius Santiago, Universidade Estadual da Paraíba – UEPB

    Vinícius Santiago é doutor em Relações Internacionais pela PUC-Rio. Possui especialização em Estudos Afro-latino-americanos pela FLACSO-Argentina com foco em Interseccionalidades de Gênero e Raça. Realiza pós-doutorado em Sociologia na UnB e possui vasta experiência de pesquisa na agenda de igualdade de gênero e raça voltada para a garantia de direitos humanos à população negra e periférica, e forte atuação junto aos movimentos sociais no combate ao racismo e na denúncia à violência de Estado. Nos últimos anos, lecionou na PUC-SP e na UnB na área de interseccionalidades, gênero, raça e estudos afrocentrados.

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Publicado

13-07-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático: Dar fim a pesquisa como conhecemos

Como Citar

A sala de aula como ginga:: sobre as experiências de “tornar-se homem”, “virar viado” e de construir o conhecimento em roda. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/