MEDICALIZAÇÃO DA HOMOSSEXUALIDADE MASCULINA NO CURRÍCULO CULTURAL DO TWITTER
DOI:
https://doi.org/10.29327/Palavras-chave:
Medicalização; Homossexualidade masculina; Twitter.Resumo
O artigo apresenta alguns dos desdobramentos de uma pesquisa de doutorado em educação, com foco nos rastros de discursos medicalizantes das homossexualidades masculinas na rede social Twitter (atual ‘X’). Foram acompanhadas discussões e foram recolhidos e armazenados tuítes, utilizando a técnica print screen (captura de tela), nos quais os conteúdos remetiam aos processos de medicalização da vida e da sexualidade no contemporâneo. A análise se pautou nos estudos foucaultianos e em estudos sobre medicalização, gênero, sexualidade e educação, sob a perspectiva dos estudos culturais e dos estudos pós-estruturalistas. Para o artigo, selecionamos dois tópicos de análise que dizem respeito a como o Twitter pode ser pensado como um currículo que aciona discursos sobre a medicalização, educando modos de existência para os prazeres e os riscos da adoção de certas substâncias como uso recreativo nas relações sexuais e como modo de aprimorar e adaptar os corpos a determinados padrões heteronormativos de masculinidade. Concluímos que o discurso medicalizante, como um dos mais importantes dispositivos contemporâneos de produção das sexualidades, tem efeitos pedagógicos na constituição de subjetividades, a partir de uma composição de enunciados médicos, biomédicos, farmacêuticos, estrategicamente apoiados na ciência e na biotecnologia, que circulam no currículo cultural das redes sociais, como o Twitter, engendrando condutas e comportamentos para os corpos de sujeitos homossexuais masculinos.
Downloads
Referências
BIRMAN, Joel. Mal-estar na atualidade: a psicanálise e as novas formas de subjetivação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.
BRANQUINHO, Bruno. Por que os homens gays estão tão infelizes com seus corpos? Carta Capital, São Paulo, 02 mar. 2020. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/blogs/saudelgbt/por-que-os-homens-gays-estao-tao-infelizescom-seus-corpos/. Acesso em: 14 jan. 2025.
CABRAL, Cláudio O. G. “Tenho mais cadastro em farmácia do que em baladas”: rastros de discursos medicalizantes em enunciados de sujeitos homossexuais masculinos no Twitter. 2023. 218 f. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais, 2023.
CAMOZZATO, Viviane Castro; COSTA, Marisa Vorraber. Vontade de pedagogia – pluralização das pedagogias e condução de sujeitos. Cadernos de Educação, Pelotas, n. 44, p. 22-44, mar./abr. 2013. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/caduc/article/view/2737. Acesso em: 10 abr. 2025.
COLLARES, Cecília Azevedo Lima.; MOYSÉS, Maria Aparecida. A transformação do espaço pedagógico em espaço clínico: a patologização da educação. São Paulo: FDE, 1994.
COM o objetivo de um “volume” maior, homens usam spray que causa inchaço e 1/4 do comprimido de Viagra. O Maranhense, São Luís, 2020. Disponível em: https://omaranhense.com/com-o-objetivo-de-um-volume-maior-homens-usam-spray-quecausa-inchaco-e-1-4-do-comprimido-de-viagra/. Acesso em: 20 nov. 2021.
COSTA, Marisa V.; WORTMANN, Maria Lúcia; BONIN, Iara T. Contribuições dos estudos culturais às pesquisas sobre currículo – uma revisão. Currículo sem Fronteiras, [S. L.], v. 16, n. 3, p. 509-541, set./dez. 2016. Disponível em: https://www.curriculosemfronteiras.org/vol16iss3articles/costa-wortmann-bonin.pdf. Acesso em: 12 mai. 2025.
DANTAS, Jurema Barros. Tecnificação da vida: uma discussão sobre o discurso da medicalização da sociedade. Fractal: Revista de Psicologia, Niterói, v. 21, n. 3, p. 563-580, set./dez. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/fractal/a/FwQmjsZxb8Yz4KdPdNpwQkM/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 28 nov. 2024.
FERNANDES, Belmiro. O Chemsex como padrão comportamental: e a adequação do sistema de saúde brasileiro à luz bioética de intervenção para o acolhimento dos envolvidos. 2020. 198 f. Tese (Doutorado em Direito). Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2020.
FISCHER, Rosa Maria Bueno. O estatuto pedagógico da mídia: questões de análise. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 22, n. 2, p. 59-80, jul./dez. 1997. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/71363/40517. Acesso em: 01 fev. 2025.
FOUCAULT, Michel. Ditos e Escritos V: Ética, sexualidade e política. Trad.: Elisa Monteiro e Inês Autan Dourado Barbosa. Org.: Manoel de Barros da Motta. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010a.
FOUCAULT, Michel. Os anormais: curso no Collège de France (1974-1975). Trad.: Eduardo Brandão. São Paulo: Editora VMF Martins Fontes, 2010b.
FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: a vontade de saber. Trad.: Maria Thereza da Costa Albuquerque. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2011.
FOUCAULT, Michel. A Arqueologia do Saber. Trad.: Luiz Felipe Baeta Neves. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2016.
LE BRETON, David. Adeus ao Corpo: Antropologia e sociedade. Trad.: Marina Appenzeller. Campinas: Papirus, 2014.
MEYER, Dagmar; KLEIN, Carin; ANDRADE, Sandra dos Santos. Sexualidades, prazeres e vulnerabilidade: implicações educativas. Educação em Revista, Belo Horizonte, n. 46, p. 219-239, dez. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edur/a/Rdpn3PcrXKjt8ppzCJcfWsx/. Acesso em: 19 mai. 2025.
PARAÍSO, Marlucy Alves. Diferença no currículo. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 40, n. 140, mai./ago. 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cp/a/MnrBfYmbrZ4zfVqD3C5qkYp/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 10 mai. 2025.
PRECIADO, Paul B. Texto Junkie, sexo, drogas e biopolítica na era farmacopornográfica. Trad.: Maria Paula Gurgel Ribeiro. São Paulo: N - 1 edições, 2018.
PRECIADO, Paul B. Um apartamento em Urano: crônicas da travessia. Trad.: Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
ROHDEN, Fabiola. Diferenças de gênero e medicalização da sexualidade na criação do diagnóstico das disfunções sexuais. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 17, n. 1, p, 89-109, jan./abr. 2009. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/S0104-6X2009000100006/10985. Acesso em: 16 mai. 2025.
ROHDEN, Fabiola. Vida saudável versus vida aprimorada: tecnologias biomédicas, processos de subjetivação e aprimoramento. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 23, n. 47, p. 29-60, jan./abr. 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ha/a/NHHX5NcL4yFYXNX88msZyXh/?format=pdf. Acesso em: 19 mai. 2025.
ZORZANELLI, Rafaela Teixeira; ORTEGA, Francisco; BEZERRA, Benilton. Um panorama sobre as variações em torno do conceito de medicalização entre 1950-2010. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 19, n. 6, p. 1859-1868, 2014. Disponível em:https://www.scielo.br/j/csc/a/nqv3K7JRXxmrBvq5DcQ88Qz/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 16 mai. 25.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Como Citar
Licença
Copyright (c) 2026 O autor detém os direitos autorais do texto e pode republicá-lo desde que a REBEH seja devidamente mencionada e citada como local original de publicação.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A submissão de trabalho(s) científico(s) original(is) pelas pessoas autoras, na qualidade de titulares do direito de autoria do(s) texto(s) enviado(s) ao periódico, nos termos da Lei 9.610/98, implica na cessão de direitos autorais de publicação impressa e/ou digital à Revista Brasileira de Estudos da Homocultura (REBEH), do(s) artigo(s) aprovado(s) para fins da publicação, em um único número da Revista, autorizando-se, ainda, que o(s) trabalho(s) científico(s) aprovado(s) seja(m) divulgado(s) gratuitamente, sem qualquer tipo de ressarcimento a título de direitos autorais, por meio do site da Revista, para fins de leitura, impressão e/ou download do arquivo do texto, a partir da data de aceitação para fins de publicação. Portanto, as pessoas autoras, ao procederem à submissão do(s) artigo(s) à Revista e, por conseguinte, à cessão gratuita dos direitos autorais relacionados ao trabalho científico enviado, têm plena ciência de que não serão remuneradas pela publicação de seu manuscrito no periódico, independentemente da seção.
A Revista encontra-se licenciada sob a Licença Creative Commons 4.0 Internacional, para fins de difusão do conhecimento científico, conforme indicado no sítio da publicação.
No ato da submissão de seus artigos à REBEH, as pessoas autoras automaticamente aceitam e concordam expressamente com os termos da licença, que se aplica a todos os manuscritos publicados por esta Revista.

