Desvios, errâncias e desordens criadoras no Vale das Ninfas
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-88Palavras-chave:
Currículo. Subjetividade. Gênero. Sexualidade. Pesquisa.Resumo
O artigo examina memórias, práticas discursivas e processos de subjetivação que se articulam no Vale das Ninfas, território LGBTQIA+ localizado na região central do Recife. Compreendido como um currículo arruaceiro – relacional, instável e performativo –, o Vale constitui-se nas ruas, festas, boates e encontros, em meio a disputas simbólicas onde saberes se corporificam em afetos e gestos de subversão. Dialogando com teorias pós-estruturalistas, propõe-se uma abordagem investigativa fundamentada na experiência sensível, atenta às fabulações coletivas, às zonas de ininteligibilidade e à emergência de conhecimentos não domesticados. A imaginação é mobilizada como estratégia ontológica e política, enquanto o fracasso é assumido como estética e ética queer. O texto defende uma concepção de pesquisa como prática situada e implicada, comprometida com a invenção de outros modos de existir e com a desestabilização dos dispositivos normativos de controle e regulação dos saberes.
Referências
AGAMBEN, Giorgio. Ninfas. Valencia: Pre-Textos, 2010.
AHMED, Sara. Queer Phenomenology: Orientations, Objects, Others. Durham and London: Duke University Press, 2006.
BENTO, Emannuel. Diversidade e vida noturna pulsante marcam bairro da Boa Vista. Diario de Pernambuco, 26 de junho de 2019. Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/viver/2018/06/diversidade-e-vida-noturna-pu lsante-no-coracao-da-cidade.html. Acesso em: 28 out. 2023.
BURITY, Joanildo Albuquerque. Discurso, política e sujeito na teoria da hegemonia de Ernesto Laclau. In: MENDONÇA, D; PEIXOTO, L. Pós-estruturalismo e teoria do discurso: em torno de Ernesto Laclau. Porto Alegre: EDPUCRS, 2008.
BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
BUTLER, Judith. A força da não violência: um vínculo ético-político. São Paulo: Boitempo, 2021.
BUTLER, Judith. Desfazendo o gênero. São Paulo: UNESP, 2022.
CARELLA, Túlio. Orgia: os diários de Túlio Carella – Recife, 1960. 1. ed. São Paulo: Opera Prima, 2011.
DIDI-HUBERMAN, Georges. Ninfa Moderna. Lisboa: Kkym, 2016.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. São Paulo: Edições Loyola, 1996.
FOUCAULT, Michel. Ditos e Escritos V. Ética, Sexualidade e Política. 3 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2017, p. 258-280.
FRANÇA, Isadora Lins. “Frango com frango é coisa de paulista”: erotismo, deslocamento e homossexualidade entre Recife e São Paulo. Sexualidad, Salud y Sociedad, Rio de Janeiro, n. 14, p. 13–39, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sess/a/49sbVgQmVbx6tvJkNWFp3bt/?lang=pt#. Acesso em: 8 ago. 2024.
HALBERSTAM, Jack. A arte queer do fracasso. Recife: Cepe, 2000.
HARAWAY, Donna. Staying with the Trouble: Making Kin in the Chthulucene. Durham: Duke University Press, 2016.
LACLAU, Ernesto; MOUFFE, Chantal. Hegemonia e estratégia socialista: por uma política democrática radical. São Paulo: Intermeios; Brasília: CNPq, 2015.
LOPES, Alice Casimiro. Políticas de currículo em um enfoque discursivo: notas de pesquisa. In: LOPES, Alice Casimiro; OLIVEIRA, Anna Luiza; OLIVEIRA, Gustavo Gilson. A teoria do discurso na pesquisa em educação. Recife: Ed. UFPE, 2018.
MACEDO, Elizabeth. Currículo como espaço-tempo de fronteira cultural. Revista Brasileira de Educação (Impresso), São Paulo, v. 11, n.32, p. 285–296, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbedu/a/wbctGFsGKm3tJ8bvhFKKfnd/. Acesso em: 10 jan. 2024.
MACEDO, Elizabeth; MILLER, Janet L. Por Um Currículo ‘Outro’: autonomia e relacionalidade. CURRÍCULO SEM FRONTEIRAS, v. 22, p. 1-17, 2022. Disponível em: https://www.curriculosemfronteiras.org/vol22articles/3macedo-miller.pdf. Aceso em 7 jan. 2025.
MACEDO, Elizabeth; SILVA, Paulo de Tarso. Pesquisa pós-qualitativa e responsabilidade ética: notas de uma etnografia fantasmática. Revista Práxis Educacional, v. 17, n. 48, p. 40-59, out./dez. 2021. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/index.php/praxis/article/view/8902. Acesso em: 31 ago. 2023.
MASSAPÊ, Coletivo. Guia (co)Memorativo da Boa Vista: a história, as memórias e os sentidos de parte do coração da cidade do Recife. Recife: CEPE Gráfica, 2021.
OLIVEIRA, Iris Verena. Giras de escrevivências: Miragens metodológicas para pesquisa no campo do currículo. Revista Espaço do Currículo, [S. l.], v. 14, n. Especial, p. 1–20, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/index.php/rec/article/view/61164. Acesso em: 11 nov. 2023.
OLIVEIRA, Gustavo Gilson; OLIVEIRA, Anna Luiza; MESQUITA, Rui. Gomes. A Teoria do Discurso de Laclau e Mouffe e a Pesquisa em Educação. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 38, n. 4, p. 1327–1349, out. 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/edreal/a/tt3RpF8zjvRZDNwtcQS4Snk/#. Acesso em: 20 mar. 2023.
PERLONGHER, Néstor. Territórios Marginais. In: GREEN, James N.; TRINDADE, Ronaldo (org.). Homossexualismo em São Paulo e outros escritos. São Paulo, Editora Unesp, 2005 [1992], pp. 263-290.
PINAR, William. O que é a teoria do currículo? Porto: Porto Editora, 2007.
PIRES, Anderson Moraes. O mundo começa no Recife: (des)construções curriculares e processos de subjetivação no Vale das Ninfas. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2025.
RAHME, Anna Maria. O olhar de Giorgio Agamben sobre as Ninfas. São Paulo. Brasil. Revista ARA. n. 7, v. 7, p. 97-109, 2019.
RANNIERY, Thiago. Mapas, dança, desenhos: a cartografia como método de pesquisa em Educação. In: MEYER, Dagmar Estermann; PARAÍSO, Marlucy Alves. Metodologias de pesquisas pós-críticas em educação. Belo Horizonte: Maza Edições, 2012.
RANNIERY, Thiago. No meio do mundo, aquenda a metodologia, mona: notas para queerizar a pesquisa em currículo. Práxis Educativa, [S. l.], v. 11, n. 2, p. 332–356, 2017. DOI: 10.5212/PraxEduc.v.11i2.0002. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/praxiseducativa/article/view/7006. Acesso em: 14 abr. 2024.
SILVA, Paulo de Tássio Borges. Paisagens e fluxos curriculares Pataxó: processos de hibridização e biopolítica. Rio de Janeiro: UERJ, 2019. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-graduação em Educação; Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2019.
SILVA, Sandro José da. Quando ser gay era uma novidade: aspectos da homossexualidade masculina na cidade do Recife na década de 1970. Recife: UFRPE, 2011. 211 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, PE, 2011.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: UFMG, 2018.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Como Citar
Licença
Copyright (c) 2026 O autor detém os direitos autorais do texto e pode republicá-lo desde que a REBEH seja devidamente mencionada e citada como local original de publicação.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A submissão de trabalho(s) científico(s) original(is) pelos autores, na qualidade de titulares do direito de autor do(s) texto(s) enviado(s) ao periódico, nos termos da Lei 9.610/98, implica na cessão de direitos autorais de publicação impressa e/ou digital à Revista Brasileira de Estudos de Homocultura (REBEH), do(s) artigo(s) aprovado(s) para fins da publicação, em um único número da Revista, autorizando-se, ainda, que o(s) trabalho(s) científico(s) aprovado(s) seja(m) divulgado(s) gratuitamente, sem qualquer tipo de ressarcimento a título de direitos autorais, por meio do site da Revista, para fins de leitura, impressão e/ou download do arquivo do texto, a partir da data de aceitação para fins de publicação. Portanto, os autores ao procederem a submissão do(s) artigo(s) à Revista, e, por conseguinte, a cessão gratuita dos direitos autorais relacionados ao trabalho científico enviado, têm plena ciência de que não serão remunerados pela publicação do(s) artigo(s) no periódico.
A Revista encontra-se licenciada sob uma Licença Creative Commons 4.0 Internacional, para fins de difusão do conhecimento científico, conforme indicado no sítio da publicação.
Os autores declaram expressamente concordar com os termos da presente Declaração de Direito Autoral, que se aplicará a submissão caso seja publicada por esta Revista.

