Cartografia da pesquisa em ruínas:

epistemologias bixas-indígenas-sapatonas-travestis na Saúde Coletiva

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/


Palavras-chave:

Cartografia, Colonialidade, Produção acadêmica, Saberes insurgentes, Saúde coletiva

Resumo

Este artigo nasce do desejo de criar espaços de visibilidade e dizibilidade para bixas-indígenas-sapatonas-travestis na pesquisa em Saúde Coletiva. A partir de uma perspectiva situada em vivências e epistemologias das margens, questionamos os discursos hegemônicos que sustentam a cisheteronormatividade, o racismo e a colonialidade nos processos de formação e cuidado em saúde. Nossas vivências e inquietações emergem de nossa atuação como pesquisadoras/es no estudo multicêntrico “Práticas e saberes que vêm das margens: encontros e desencontros com a atenção e a formação em saúde”, financiado pelo CNPq, que analisa junto a pessoas LGBTQIAPNb+, indígenas e viventes de rua as práticas e saberes de cuidado, no território, em movimentos de resistência, no e para além do SUS. Por meio da cartografia e da pesquisa-interferência, reconhecemos que nossos corpos e histórias produzem uma ciência encarnada no terreiro, na rua e na clínica ampliada. Interessa-nos repensar as bases epistemológicas e ontológicas no campo da Saúde Coletiva em que persistem os saberes hegemônicos. O texto produz, portanto, pistas cartográficas, nas encruzilhadas na pesquisa, a partir da confluência de saberes decolonias e contra-coloniais como modos para dar fim à pesquisa como conhecemos, que incorre na tradução como captura colonial do pensamento.

Biografia do Autor

  • Gabriela Andrade Ferreira de Sá, Universidade Federal da Paraíba – UFPB

    Graduada em Psicologia pela Faculdade de Ciências e Letras-UNESP/Assis. Atualmente faz mestrado em Saúde Coletiva na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), estudando as relações de gênero e sexualidade nas políticas de saúde. Realizou pesquisa na área da Atenção Psicossocial, intitulada "Prelúdio da Reforma Psiquiátrica: período de 1970-1979", com financiamento do CNPq. Tem especialização em Saúde Pública e Saúde Mental pelo Programa de Aprimoramento Profissional da DRS IX de Marília/SP e Residência em Redes de Atenção Psicossocial pela UNIFESP-Baixada Santista. Tem experiência em Educação Popular, Economia Solidária, Saúde Coletiva, Saúde Mental e Redução de Danos.

  • Sasha Abigail Alves dos Santos, Universidade Federal da Paraíba – UFPB
    Sasha Abigail Alves dos Santos é estudante de Psicologia na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pesquisadora das vivências LGBTQIAPN+. Sua trajetória acadêmica articula clínica, cuidado em saúde e resistência, com interesse especial em espiritualidade e ancestralidade travesty como caminhos de produção de subjetividade e cuidado nas margens.  
  • Lanna Carolyna Vieira da Costa, Universidade Federal da Paraíba – UFPB

    Psicóloga (UFPB), descendente indígena Potiguara, mestranda em Saúde Coletiva (UFPB), pós-graduanda em Escrita Criativa (UNIESP), especialização em Saúde Indígena. Áreas de Interesse: saúde Coletiva; contracolonialidade/decolonialidade; saúde mental; migração e refúgio.

  • Juliana Sampaio, Universidade Federal da Paraíba – UFPB

    Formada em Psicologia, com mestrado em Serviço Social, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutorado em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz. Professora Titular do Departamento de Promoção da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (DPS/UFPB), e Líder do Grupo de Pesquisa Política, Educação e Cuidado em Saúde (GPECS). Desenvolve na UFPB atividades de ensino, pesquisa e extensão na graduação de Medicina, na Residência de Medicina de Família e Comunidade, no Mestrado de Saúde Coletiva e no programa de Pós Graduação (mestrado e doutorado) em Modelos de Decisão em Saúde. Tem experiência na área de Psicologia Social e da Saúde, e na Saúde Pública, atuando principalmente com os seguintes temas: atenção básica, gestão do cuidado, políticas públicas, saúde mental, direitos sexuais e reprodutivos, gênero e humanização do cuidado.

  • Anselmo Clemente, Universidade Federal da Paraíba – UFPB

    Psicólogo, com graduação pela UNESP/Assis, especialização em Saúde da Família (Residência Multiprofissional), mestrado em Psicologia Institucional (UFES) e doutorado em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Subjetividade da PUC-SP. É professor do curso de Psicologia e do Mestrado Profissional em Psicologia Clínica (MPPsiCli), ambos vinculados ao Departamento de Psicologia/CCHLA da UFPB, além de atuar no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (CCS/UFPB). Atua na área da Psicologia Clínica e da Saúde Coletiva, com ênfase em Estudos da Subjetividade, desenvolvendo pesquisas e práticas nos campos da saúde mental, saúde coletiva, estudos decoloniais, equidade em saúde, gênero e sexualidade, esquizoanálise e análise institucional.

Referências

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Publicado

13-07-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático: Dar fim a pesquisa como conhecemos

Como Citar

Cartografia da pesquisa em ruínas:: epistemologias bixas-indígenas-sapatonas-travestis na Saúde Coletiva. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/