MEMÓRIA QUEER
Não-binariedade e Espiritualidade dissidente em Public Universal Friend (1752-1819)
DOI:
https://doi.org/10.29327/Palavras-chave:
Não-binariedade; Diversidade; Teologia Queer; Public Universal Friend; Quaker.Resumo
Este artigo propõe uma análise crítica da figura histórica de Public Universal Friend (PUF) a partir de uma perspectiva interseccional que articula teologia queer, estudos de gênero e história da religião. A pesquisa busca compreender como PUF, ao rejeitar uma identidade de gênero binária após uma experiência de quase morte no século XVIII, desestabilizou os sistemas teológicos e normativos de sua época, promovendo uma espiritualidade alternativa que transcendia os enquadramentos sociais, corporais e identitários vigentes. Com base em revisão bibliográfica de caráter qualitativo, foram mobilizadas obras de referência nas áreas dos estudos queer e da teologia indecente, especialmente as contribuições de Marcella Althaus-Reid (2003, 2019, 2023) e Judith Butler (1990, 2007), bem como fontes históricas e acervos digitais sobre PUF disponibilizados por instituições norte-americanas. A metodologia adotada é de cunho analítico e interpretativo, com enfoque hermenêutico, buscando compreender a construção discursiva e simbólica da figura de PUF, sua atuação profética e a recepção de sua liderança religiosa por sua comunidade. O artigo também examina o impacto sociopolítico de sua existência dissidente no contexto da colonização inglesa na América do Norte e como a rejeição das categorias de gênero por parte de PUF foi compreendida, tensionada ou apagada nos registros históricos. A análise evidencia que sua identidade não se sustentava na negação de um gênero específico, mas na superação de qualquer forma de normatividade imposta, propondo um modo de ser ético, espiritual e radicalmente livre. Por fim, argumenta-se que a reemergência de PUF nos estudos contemporâneos está diretamente ligada ao avanço das teorias queer e da teologia inclusiva, que oferecem novas lentes para reconhecer vidas historicamente silenciadas. O caso de PUF convida à ampliação do campo das ciências da religião para além das epistemologias hegemônicas, abrindo caminho para investigações que integrem espiritualidade e dissidência de gênero como categorias legítimas de análise.
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