Da criança que um dia fui para as crianças que ainda somos: um manifesto pela liberdade de ser

Autores

Resumo

Este ensaio busca, por meio de um exercício de memória e conectado aos procedimentos metodológicos do brainstorming e do inventário, um retorno à infância do autor, provocada pelo encontro com uma carta que escreveu para a criança que um dia foi, como parte do processo de pesquisa e criação da Peça-Jogo-Festa #Criança. O trabalho, que tem como tema as relações entre identidade, gênero e brincadeira, foi a motivação para a escrita desta auto-etnografia para pensar modos de ser criança como pessoa assumidamente LGBTQIA+ e os desdobramentos, feridas e cicatrizes oriundos da experiência. Amparado por Foucault (2009), Butler (2015a; 2015b), Kennedy (2012), Moriceau e Mendonça (2016), o ensaio se desenvolve pela peformatividade das “escritas de si” e pelo método “da virada afetiva”, regressando ao passado para se pensar a partir da experiência da infância, e dos modos com as normas e construtos sócio-culturais-políticos de gênero ferem a liberdade de ser criança.

Biografia do Autor

Juarez Guimarães Dias, Universidade Federal de Minas Gerais

Juarez Guimarães Dias é Professor do Departamento de Comunicação Social da UFMG e Co-coordenador do Núcleo de Estudos em Estéticas do Performático e Experiência Comunicacional (Neepec/ UFMG). É Doutor em Artes Cênicas, Mestre em Literatura e Bacharel em Publicidade e Propaganda. Atua também como dramaturgo e encenador e publica textos no seu blog "Escrita em progresso". É autor dos livros "Narrativas em cena: Aderbal Freire-Filho (Brasil) e João Brites (Portugal)" (Móbile Editorial/ Faperj) e "O fluxo metanarrativo de Hilda Hilst em Fluxo-floema" (Annablume). Suas pesquisas versam sobre autoficção e narrativas de si, gênero e sexualidade, performance, performatividade e teatralidade, redes sociais digitais e publicidade e propaganda. 

Referências

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Trad. Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015a.

BUTLER, Judith. Um relato de si. In: Relatar a si mesmo: crítica da violência ética. Trad. Rogério Bettoni. Belo Horizonte: Ed. Autêntica, 2015b, p. 11-56.

CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4 ed revista pela nova ortografia. Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.

CUNHA, Celso e CINTRA, Lindley. Gramática do português contemporâneo. 6ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2013.

FOUCAULT, Michel. A escrita de si. In: O que é um autor? Trad. António Fernando Cascais e Eduardo Cordeiro. Lisboa: Ed. Vega, 2009, p. 127-160.

KENNEDY, Natacha. Crianças transgênero: mais do que um desafio teórico. Trad. Valéria Amado. In: Cronos – Revista do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da UFRN. Vol. 11, nº 2, 28 nov 2012. Natal: Editora da UFRN, 2012, p. 21-61.

MORICEAU, Jean-Luc e MENDONÇA, Carlos Magno Camargos. Afetos e experiência estética: uma abordagem possível. In: MENDONÇA, Carlos Magno Camargos; DUARTE, Eduardo e CARDOSO FILHO, Jorge (Orgs.). Comunicação e sensibilidade: pistas metodológicas. Belo Horizonte: PPGCOM UFMG, 2016, p. 79-98.

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Publicado

2020-08-31

Edição

Seção

Dossiê Temático: Tornar-nos Criança: Auto-Etnografias, Cuidados e Reparações