Desafios em torno do sangue na produção de corações artificiais

Autores

Resumo

No desenvolvimento de tecnologias de assistência circulatória conhecidas como corações artificiais um dos maiores desafios está associado à perfusão das células e distribuição do sangue pelo corpo de maneira harmônica, o que relaciona-se à preservação das células do sangue. Como substituir mecanicamente a função do bombeamento cardíaco de maneira eficaz, porém sem atuar como um "liquidificador celular"? Como performar mecanicamente a perfusão das células, mimetizando da melhor forma a fisiologia nativa/ideal? Além de explorar os desafios postos pelo sangue e sua atuação no sistema circulatório nativo, o intuito do presente paper é descrever e explorar os modos de compreensão do sangue na biomedicina e bioengenharia, bem como investigar suas aparições e como figuram nas práticas sócio-materiais laboratoriais por meio das quais tais dispositivos/corpos emergem. A proposta é informada por teorias voltadas para a materialidade e para as práticas, bem como por teorias feministas que problematizam concepções sobre o corpo e tendências simplistas de compreensão dos sujeitos.

Referências

BARAD, Karen. “Posthumanist Performativity: Toward an Understanding of How Matter Comes to Matter. Journal of Women in Culture and Society 2003, vol. 28, no. 3.

CARSTEN, Janet. Blood will out: essays on liquid transfers and flows / edited by Janet Carsten. Journal of the Royal Anthropological Institute Special Issue Book Series. Originally published as Volume 19, Special Issue May 2013 of The Journal of the Royal Anthropological Society, 2013.

DAUGMAN, John. “Brain metaphor and brain theory”. In: Philosophy and the Neurosciences, edited by W. Bechtel et al, Oxford: Blackell publishers, 2001.

HARRIS, Oliver J. T.; ROBB, John. “Multiple Ontologies and the Problem of the Body in History”. AMERICAN ANTHROPOLOGIST, Vol. 114, No. 4, pp. 668–679, ISSN 0002-7294, online ISSN 1548-1433, 2012.

HARAWAY, Donna. “Manifesto Ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: Antropologia do Ciborgue – as vertigens do pós-humano. Organização: Tomaz Tadeu da Silva. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

________________ . When species meet. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2008.

_________________. “A partilha do sofrimento: Relações instrumentais entre animais de laboratório e sua gente”. Horizontes Antropológicos, 17(35), 27-64, 2011.

INGOLD, Tim. The perception of the environment: Essays in livelihood, dwelling and skill. Londres e Nova Yorque: Routledge, 2000.

___________. “Pare, olhe, escute! Visão, audição e movimento humano”. Ponto Urbe – Revista do Núcleo de Antropologia Urbana da USP. Ano 2, versão 3.0, julho de 2008.

____________. When ANT meets SPIDER: Social theory for arthropods. In: Knappett C., Malafouris L. (eds) Material Agency. Springer, Boston, MA, DOI: 10.1007/978-0-387-74711-8_11, 2008b.

____________. Being alive: essays on movement, knowledge and description. New York: Routledge. 270 pp, 2011.

____________. “Trazendo as coisas de volta à vida: emaranhados criativos num mundo de materiais”. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 18, n. 37, p. 25-44, jan./jun, 2012.

____________. Toward an Ecology of Materials. Annu. Rev. Anthropol. 41:427–42, 2012b.

____________. Entrevista: “Diálogos Vagueiros: Vida, Movimento e Antropologia”. Ponto Urbe [Online], 11 | 2012, URL : http://pontourbe.revues.org/334 ; DOI : 10.4000/pontourbe.334.

LATOUR, Bruno; WOOLGAR, Steve. A vida de laboratório: a produção dos fatos científicos. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1997.

LATOUR, Bruno. “Technology is Society Made Durable”. In J. Law (editor) A Sociology of Monsters: Essays on Power, Technology and Domination, Sociological Review Monograph N°38 pp. 103-132, 1991.

_____________. Jamais fomos modernos: Ensaio de Antropologia Simétrica. Rio de Janeiro, editora 34, 1994a.

_____________. “On technical Mediation — Philosophy, Sociology, Genealogy”. In Common Knowledge Vol.3, n°2 p.29-64, 1994b.

_______________. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

________________. Políticas da Natureza: como fazer ciência na democracia. Bauru, SP: EDUSC, 2004b.

________________. Reagregando o Social: uma introdução à teoria do ator-rede. Salvador: EDUFBA,

Bauru, SP: EDUSC, 2012.

LAW, John. “What's wrong with a one-world world?”, Distinktion: Journal of Social Theory, 16:1, 126-139, DOI: 10.1080/1600910X.2015.1020066, 2015.

MARINI, Marisol. Corpos Biônicos e Órgãos Intercambiáveis: A produção de saberes e práticas sobre corações não-humanos. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.

MARINI, Marisol. “Unproductive Participation and Protection Against Germs: Technical-Ritualistic Practices in Heart Surgery”. Vibrant: Virtual Brazilian Anthropology, 16, e16604. Epub November 28, 2019.https://dx.doi.org/10.1590/1809-43412019v16d604.

MARTIN, Emily. The end of the body? American Ethnologist, Vol 19, N. 1, pp. 121-140, Feb., 1992.

MOL, Annemarie. 2002. The Body Multiple: Ontology in Medical Practice. Durham, NC: Duke University Press.

MOL, Annemarie. & LAW, John. 2004. Embodied action, enacted bodies: the example of hypoglicaemya. Body & Society. 10 (2-3): 43-62.

POLLOCK, Anne. Heart Feminism. Catalyst: Feminism, Theory, Technoscience. Vol 1, No 1 (Inaugural Issue), 2015.

SAYES, Edwin. 2014. “Actor-Network Theory and methodology: Just what does it mean to say that non-humans have agency?” Social Studies of Science. Vol. 44 (I) 134- 149.

SERRES, Michel. Variações sobre o corpo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

SILVA, Marco Aurélio Dias de. Quem ama não adoece. Rio de Janeiro: BestSeller, 2016.

VERBEEK, Peter-Paul. Materializing Morality. Science, Technology & Human Values, Volume 31, Number 3, pp.361-380, May, 2006.

Downloads

Publicado

2020-12-22

Edição

Seção

Dossiê Temático: O que carrega o sangue?