Representações da pele na experiência do sexo bareback entre homens na cidade do Rio de Janeiro

Autores

Resumo

Este artigo, fragmento de uma pesquisa etnográfica realizada entre os anos de 2017 e 2018 na cidade do Rio de Janeiro investigou grupos específicos de homens que se relacionam sexualmente com outros homens sem o uso do preservativo, tem por objetivo refletir sobre sentidos e valores conferidos por estes homens à pele, categoria que tem posição nuclear dentro da experiência do que chamam o sexo “sem capa”. Afinal, no contexto dos riscos que envolvem a prática do sexo “sem capa”, quais as representações da pele que emergem dos sujeitos que se lançam à experiência bareback?

Biografia do Autor

Vladimir Porfirio Bezerra, Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira

Psicólogo clínico. Doutorando em Saúde Coletiva (ênfase em Saúde da Criança, da Mulher e do Adolescente) pelo Instituto Fernandes Figueira - Fundação Oswaldo Cruz. Especialista em Gênero, Sexualidade e Direitos Humanos pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/ Fiocruz - RJ). Mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Pesquisador associado ao Grupo DADÁ - Grupo de Pesquisa em Relações de Gênero, Sexualidade e Saúde da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE - UAST). Tem experiência e interesse em estudos que abordam gênero, sexualidade, corporalidade e violência, numa perspectiva interdisciplinar entre Saúde Coletiva, a Psicologia e as Ciências Sociais. Profissionalmente, atua como consultor de políticas públicas de saúde para organismos não governamentais e municipais, e atende em consultório particular na cidade do Rio de Janeiro. 

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Publicado

2020-06-04

Edição

Seção

Dossiê Temático: Nos contornos do corpo e da saúde