Relatos de viagem sobre o Brasil no século XIX

demandas de uma curiosidade etnocapitalista

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22228/rtf.v15i2.1218

Palavras-chave:

Brasil, Capitalismo, Relatos de viagem

Resumo

O campo literário europeu no século XIX foi marcado pelo crescimento nas publicações de relatos de viagem e neste artigo se busca relacionar tal interesse com a perspectiva da dominação imperialista exercida naquele mesmo período. Regiões desconhecidas foram bastante visitadas e os relatos destes estrangeiros, consumidos com voracidade por seus conterrâneos, de modo que são importantes fontes de análise para a historiografia. O que está proposto aqui é a associação de seus discursos sobre o Brasil a uma mentalidade branca de dominação e crescimento econômico através do desenvolvimento do capitalismo. Isso não se deu apenas do ponto de vista material, mas também simbólico, deixando suas marcas neste gênero literário. Assim, as principais fontes aqui utilizadas serão relatos de europeus que visitaram o Brasil, perscrutando-os para perceber qual era o tipo de curiosidade que visavam saciar, o porquê de tal interesse existir, como isso se relacionava com a política econômica europeia de então e qual era a posição que relegavam ao Brasil.

Biografia do Autor

Rute Andrade Castro

Sou doutora em História pela Universidade Federal da Bahia - UFBA e professora efetiva no Eixo Curricular Europa no Campus XIV - UNEB, além de vinculada à prefeitura Municipal de Salvador, onde atuo na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA). Tenho pesquisas ligadas a cultura e ideais de civilização etnocêntricos na Primeira República brasileira. Atualmente me dedico às experiências britânicas nos mundos do trabalho no Brasil entre os séculos XIX e início do XX, em meio à escravidão e trabalho livre, numa perspectiva de Histórias Conectadas.

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Publicado

2022-12-01

Como Citar

Castro, R. A. (2022). Relatos de viagem sobre o Brasil no século XIX: demandas de uma curiosidade etnocapitalista. Revista Territórios E Fronteiras, 15(2), 225–240. https://doi.org/10.22228/rtf.v15i2.1218