Monstrofilia necrossexual: o desejo filial tanatológico por corpos ꜵbjetos
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-69Palavras-chave:
necrossexualidade, abjeção, monstruosidadeResumo
Seja na ficção científica, nas mitologias, seja na materialidade da estigmatização de indivíduos monstrificados, a monstruosidade sempre ocupou um lugar liminar: nem fora nem dentro, mas sempre ao alcance do humano. Dialogando com estudiosos das teorias da monstruosidade, das teorias feministas e dos pensamentos contracoloniais, busco, nas páginas que se seguem, compreender os significados dos monstros para a reiteração da humanidade do Eu, em oposição à monstruosidade dos Outros. As reflexões que aqui se seguem se voltam à investigação de uma dubiedade: ao passo que o monstro, enquanto criação humana, é constantemente perseguido por seus criadores, transformado em alvo a ser eliminado, também se percebe um desejo do humano pelo monstro, um desejo que penetra – e ultrapassa – a seara sexual. O caráter abjeto do monstro se mescla com sua objetificação; o desejo de morte contra o monstro entremeia-se ao desejo pelo monstro, de forma que seja possível pensar não em uma oposição entre objeto e abjeto, mas sim em uma qualidade ꜵbjeta, através da qual se manifesta a necrossexualidade: o desejo sexual movido pela morte, pela repugnância. A partir disso, almejo dissertar sobre a ideia de monstrofilia necrossexual: o desejo filial do humano pelo monstro que opera simultaneamente, senão a partir, do desejo tanatológico.
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