Escrevivência, a poética negra feminista e a fabulação crítica:
cruzos entre Conceição Evaristo, Denise Ferreira da Silva e Saidiya Hartman no fazer pesquisa negra/o
DOI:
https://doi.org/10.29327/2889312.8.23-8Palavras-chave:
Epistemologia, Escrevivência, Metodologia, PesquisaResumo
Este ensaio parte de uma constatação: perscrutando o campo dos saberes ocidentais e as formas como nomeamos o fazer pesquisa, constata-se uma série de interpelações, inquirições e transformações em diferentes campos do conhecimento e suas formas epistemo-metodológicas canônicas. Parte considerável deste cenário transformador ancora-se, por um lado, em epistemologias e metodologias contracoloniais que ganharam força nas últimas décadas e, por outro lado, na intensificação e na agência de estudantes, pesquisadoras/es negras/os, indígenas, quilombolas, ribeirinhas/os e lgbt+ que, ao ocuparem o lugar de produtores de conhecimento, deram-se conta de um processo de objetificação e violência por parte de inúmeros campos de conhecimento, tensionando e reescrevendo os sistemas de enunciação do fazer pesquisa. Logo, o cerne deste texto são as produções negras que têm tensionado os saberes e as formas de produzir pesquisa que trazem a negridade e os arquivos da escravização como espinha dorsal. Para tanto, elege-se a escrevivência, como constituída por Conceição Evaristo, como fio condutor das transformações epistemo-metodológicas em diferentes contextos acadêmicos, promovendo um cruzo com a poética negra feminista conforme elaborada por Denise Ferreira da Silva e a fabulação crítica como defendida por Saidiya Hartman, enquanto alicerces ancestrais epistêmicos e metodológicos que têm dado régua e compasso para que a comunidade negra reelabore suas formas de produção de conhecimento no âmbito acadêmico. O objetivo, assim, é situar a escrevivência no âmago de um reviramento que tem reafirmado que precisamos realmente dar um fim à pesquisa como conhecemos.
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