Viadagens Científicas:
Trejeitos bicha de (poder) fazer pesquisa
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-81Resumo
Querendo evidenciar e desestabilizar a colonialidade da produção científica, resisto, experimento, narro e discuto minha corporificação, como entendo com Donna Haraway (1995), na construção do movimento teórico-metodológico da minha dissertação de mestrado em educação, que me envolvi pesquisando crianças e infâncias de pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Intersexos (LGBTI), que intitulei de Baitolagem. Minha parcialidade como bicha e criança viada, diante do estudo, elaborou minhas curiosidades e seleções epistemológicas, como uma (po)ética da viadagem, que apresento. O babado que tensiono neste artigo, junto de teorias transfeministas, antirracistas e (contra)coloniais, é: Como a viadagem pode dar o truque em nossas pesquisas? Tendo como objetivo: Passar um cheque na colonialidade científica, por meio da Baitolagem, como (tre)jeito (possível) de enviadescer nossas pesquisas. Para isso, conto como virei Baitola desde criança, discuto como fiz ciência com ela e caminho para dar um fecho provocando mais truques (im)possíveis de/para nossas produções. Defendendo a viadagem como modo de nos relacionarmos com a produção de um conhecimento, que acontece por (po)éticas outras, devolve a imagem à dissimulação descorporificada, e colabora para dar fim à colonialidade da ciência como conhecemos e resistimos. Escrevendo para reflorestar e darmos (mais) pinta na ciência.
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