Corpo bicha em trânsito: Entre escola, docência e pesquisa

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DOI:

https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-79


Resumo

Este artigo-poético entrelaça memória, teoria e resistência a partir da escrevivência de uma bicha afeminada, desde a infância até a atuação como professor-pesquisador. A narrativa evidencia o corpo como arquivo e campo de disputa, articulando silêncios, medos e descobertas como parte de um processo contínuo de subjetivação. A escola e a universidade são tensionadas como espaços simultaneamente normativos e férteis para invenções de si, nos termos de Louro (2004) e Anzaldúa (1987). O Instituto Federal de Sergipe (IFS) é descrito como abrigo e território de florescimento, enquanto a entrada na Universidade Federal de Sergipe (UFS) revela o exílio epistêmico e a posterior reexistência, onde o corpo dissidente se faz teoria viva, conforme Preciado (2020) e Mignolo (2017). Na docência, o corpo-afirmação transforma-se em método, pedagogia e escândalo, desafiando normas e oferecendo possibilidades. A presença da bicha em sala de aula, com seus gestos e afetos, revela uma pedagogia da diferença (Bento, 2008), sensível à escuta, ao acolhimento e à transgressão, como propõem bell hooks (2013) e Ladson-Billings (1995). Cada gesto encarna uma epistemologia encarnada, uma “ação poética do corpo político” (Lorde, 1984), onde ensinar é também dançar fora do compasso, fabular mundos possíveis. Ao fim, o texto se assume como testemunho insurgente — não apenas de si, mas de muitas — e convida à escuta sensível como prática de resistência e reexistência. Assim, ser bicha torna-se teoria viva, escrita com o corpo que insiste, mesmo quando tudo ao redor tenta calar.

Biografia do Autor

  • Thaynan Oliveira Fraga, Universidade Federal de Sergipe - UFS

    Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Mestrando na área da Educação, especificamente Educação, Cultura e Diversidade, pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Participou como bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e duas vezes bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). Atuou como monitor voluntário para a disciplina Bioética, voluntário no desenvolvimento de atividades e produção de materiais lúdicos em colaboração aos demais membros do laboratório DIDATEC e voluntário na Liga Acadêmica de Genética e Saúde de Sergipe desempenhando a função de diretor de projetos da liga. Conduz pesquisas no campo de Currículo e Diversidade.

  • Lívia de Rezende Cardoso, Universidade Federal de Sergipe - UFS

    É Professora da Universidade Federal de Sergipe, onde atua desde 2008, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED) e ao Departamento de Biologia (DBI). Atuou no Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (2010-2011) e no Departamento de Educação (DEDI/UFS 2011-2019). É Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Científica (GEPEC/UFS/CNPq) e Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Currículos e Culturas (GECC/UFMG/CNPq). Foi chefe do Departamento de Educação (2015-2017) e Diretora do Departamento de Apoio Didático Pedagógico (2017-2024). Coordena o Observatório Popular das Violências, e pela vida das mulheres de povos e comunidades tradicionais vinculado ao Projeto de Fortalecimento Sociopolítico das Marisqueiras, que compõe o Programa de Educação Ambiental em Comunidades Costeiras (PEAC). Compõe a Comissão Coordenadora do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (COMPIBIC) para o próximo quadrienal (2021-2025). É Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Conhecimento e Inclusão Social na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Licenciada em Ciências Biológicas e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Sergipe. Tem experiência na área de Educação como formadora e coordenadora do PNAIC-Ciências (2015-2017), como Avaliadora de Coleções Didáticas (PNLD 2015-2016) e como Coordenadora Geral do Programa de Qualificação Docente (2023-2024). Suas atividades de ensino, pesquisa e extensão têm como foco educação, currículo, gênero, natureza e ciência. Investiga e orienta teses, dissertações e relatórios de IC nos seguintes temas: infâncias, juventudes, gêneros, sexualidades, corpos, natureza, territórios e subjetivações.

Referências

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Publicado

13-07-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático: Dar fim a pesquisa como conhecemos

Como Citar

Corpo bicha em trânsito: Entre escola, docência e pesquisa. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-79