A dança da solidão na escola: entre a (in)visibilidade de saberes e as resistências solidárias de sujeitos sexuais dissidentes
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-75Palavras-chave:
Educação popular, Solidão, Solidariedade, Sujeitos sexuais dissidentesResumo
Este artigo é fruto de uma pesquisa participante (auto)biográfica cujo objetivo consistiu em desvelar experiências de solidão/solidariedade de sujeitos sexuais dissidentes na escola. Considerando que a estratificação sexual sustenta uma solidão epistêmica que visa encobrir saberes e modos próprios de ser e de ler o mundo tecidos por sujeitos sexuais dissidentes. A metodologia se fundamenta na perspectiva latino-americana da pesquisa participante e nos princípios teórico-metodológicos da Educação Popular e do legado de Paulo Freire, que buscam construir conhecimentos em diálogo com os sujeitos participantes da investigação. Assim, por meio de entrevistas, foram produzidas narrativas de cinco pessoas imersas no contexto escolar: duas estudantes, duas professoras e a do próprio pesquisador, que também é professor. A análise das entrevistas culminou na elaboração de quatro eixos temáticos, quais sejam: A escola como política de silenciamento, O armário LGBTQIA+ como dispositivo de invisibilidade, Amizades como trincheiras e Representatividade como projeto de futuro. Estes eixos temáticos não apenas descrevem experiências vividas, mas interpelam estruturas normativas responsáveis pela produção da solidão, ao mesmo tempo em que evidenciam práticas de solidariedade como formas de resistência. Conclui-se que a solidão é fabricada, incentivada e administrada por uma lógica que transforma a vida em performance de autossuficiência, isolando corpos dissidentes e esvaziando os espaços de pertencimento. Assim, a política da solidão emerge como sintoma e estratégia de um sistema que se sustenta pelo esfacelamento do comum e pela propagação de uma visão fatalista da realidade. A solidariedade e a pronúncia coletiva de mundo destacam-se como possibilidades viáveis para fazer o enfrentamento a essa política da solidão.
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