Um cravo no meio de rosas:
vivências e experiências de um homem preto construído entre mulheres negras em movimento
DOI:
https://doi.org/10.29327/Palavras-chave:
Autoetnografia, Interseccionalidade, Mulheres negrasResumo
Este artigo tem por objetivo promover uma reflexão com e sobre minhas vivências, moldado e em movimento, em contextos teóricos, práticos e políticos, em prol da igualdade nas relações raciais e de gênero, tanto dentro quanto fora da universidade. Assim, este artigo faz uma discussão ampliada sobre os caminhos percorridos por um indivíduo preto retinto, desde a infância até a sua integração ao feminismo interseccional na idade adulta, dentro de uma dimensão colaborativa, e como iniciante na academia enquanto estudante do mestrado. O texto é parte da minha dissertação de mestrado apresentada a um Programa de Pós-graduação em Educação de uma universidade federal. Recorro aos recursos metodológicos da autoetnografia feminista negra para construir uma narrativa sobre o caminho aberto por ativistas negras, residentes num bairro de periferia em uma cidade no interior do estado de Minas Gerais, e sobre a minha constituição enquanto um homem negro, em diálogo e em movimento com essas mulheres. Essa construção do eu intersecionalizado pelos vieses de gênero, raça, classe e sexualidade reflete a atuação dessas mulheres que, atualmente, formam o núcleo do movimento negro local. Neste artigo, ouso apresentá-las e me coloco na posição de aprendiz, atuando junto ao movimento e enquanto pesquisador universitário sob orientação de uma docente preta. A partir desses encontros, que vão da militância à pesquisa, os caminhos se afunilaram nas percepções analíticas e políticas sobre questões raciais, de gênero, classe e sexualidade.
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