Des/encaixes cuir do velcro: corpos, imagens e cinemas em fricção
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-55Palavras-chave:
Metodologia cuir, Sapatão, Velcro, Vídeo ensaioResumo
Este artigo propõe o velcro como conceito teórico-metodológico, ancorado em experiências sapatão e cuir, que opera por meio de fricções, desencaixes e aproximações materiais entre imagens, corpos e desejos. Inspirado pela crítica feminista e queer, o velcro não visa à adesão permanente, mas a um movimento dinâmico de colagem e descolagem, evocando tensões, afetos e resistências. O vídeo ensaio emerge como prática fundamental nessa proposta, permitindo uma intervenção direta na matéria fílmica e materializando uma pesquisa encarnada e implicada. Como método, o velcro mobiliza tanto a hipermemória cinéfila – repertórios canônicos e referências conscientes – quanto a hipomemória do desejo – rastros afetivos e lembranças involuntárias. Essa dupla operação constrói um arquivo afetivo-político que desafia as normas da análise fílmica tradicional, recusando a pretensa objetividade e neutralidade crítica. Ao reconfigurar o cinema a partir do desejo sapatão, o velcro não busca estabilizar identidades ou métodos, mas propor um movimento contínuo de invenção, inventariação e intervenção. Sua potência reside justamente na capacidade de desorganizar narrativas hegemônicas, atritar categorias fixas e recontar a história do cinema a partir de perspectivas marginais. Trata-se de uma crítica porosa, que se faz no contato, no ruído e na diferença – uma metodologia que não fixa, mas abre fissuras para novos modos de ver, sentir e pensar o cinema.
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