Corp[a]o, Memória e Tradição:

A simbologia da cabaça no cosmo-encapoeirado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/


Resumo

O presente estudo reflete sobre a importância da cabaça como elemento central nas manifestações culturais amefricanas, com ênfase na Capoeira Angola, a partir do olhar do feminismo angoleiro conceituado por Rosângela Araújo (Mestra Janja). A análise fundamenta-se na experiência de dois artistas pretos, no contexto da pós-graduação em educação, que destacam a interculturalidade e as tradições afromeríndias como influências determinantes em suas práticas e saberes. Diante disso, enfatiza-se a corp[a]o como suporte de memórias e resistência cultural, reconhecendo a corporeidade negra, sobretudo feminina, como fundamental na construção de narrativas emancipadoras. A cabaça, enquanto símbolo de ancestralidade, circularidade e potência, é reinterpretada no feminismo angoleiro como uma metáfora do corpo feminino, desafiando a objetificação e afirmando sua centralidade na cultura de resistência. Além disso, o estudo discute a cabaça como caixa de ressonância do berimbau, essência na amplificação sonora da capoeira e na preservação da ginga contra o apagamento cultural, promovendo uma reconfiguração do protagonismo da feminilidade na narrativa cultural afro-brasileira. Como símbolo de resistência, identidade e circularidade, a cabaça assume, na perspectiva do feminismo angoleiro, o papel de instrumento para reafirmar a centralidade das mulheres pretas na cultura popular, na história e na luta por justiça social questionando a parceria de outros grupos étnicos-sociais, sobretudo os homens. Por fim, o artigo propõe uma articulação entre corp[a]o, cabaça e Capoeira Angola, evidenciando a importância da memória, das tradições e do protagonismo feminino na consolidação da identidade afro-brasileira na contemporaneidade. Ao estabelecer essas conexões, busca-se aprofundar o entendimento sobre as relações entre cultura, resistência, gênero e saberes ancestrais, contribuindo para a valorização de práticas amefricanas e para a desconstrução de narrativas limitadoras que marginalizam as mulheres pretas na história e na cultura.

Biografia do Autor

  • Sandy Cristine Prata de Oliveira, Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM

    Profissional de Educação Física graus Licenciatura e Bacharelado na Universidade Federal de Uberlândia-UFU. Mestranda em educação pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro-UFTM. Membro do Grupo de Ensino e Pesquisa: África e Africanidades -GEPAA. Treinela de Capoeira Angola no Grupo Galo Cantô de Uberlândia-MG. Co-fundadora do Espaço Ayoluwá em Uberlândia-MG.

  • Laercio Oliveira Simões, Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM

    Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) e Graduado em Licenciatura em Matemática pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e Coordenador de Pesquisa da Liga Acadêmica de Relações Étnico-Raciais Sankofa. Atualmente participa como pesquisadora no Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação e Cultura (GEPEDUC) e Colagista.

  • Vânia Cristina da Silva Rodrigues, Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM

    Bacharela em Matemática e mestra em Ciências Matemáticas pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), doutora em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Atualmente é professora adjunta do Departamento de Educação em Ciências, Matemática e Tecnologias (DECMT) vinculado ao Instituto de Ciências Exatas, Naturais e Educação (ICENE) da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) onde atua no Curso de Licenciatura em Matemática e no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFTM).  É membro da Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e da Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM). Atualmente participa como pesquisadora no Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação e Cultura (GEPEDUC) e na Rede de Pesquisa sobre Profissão Docente (REPPOD).

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Publicado

15-07-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático: Dar fim a pesquisa como conhecemos

Como Citar

Corp[a]o, Memória e Tradição:: A simbologia da cabaça no cosmo-encapoeirado. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/