Autoetnografia indígena: 

conceito, discussão e experiência de pesquisa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-87


Palavras-chave:

Autoetnografia. Povos Indígenas. Autoetnografia Indígena. Metodologias Indígenas

Resumo

O presente artigo pretende discutir a “autoetnografia indígena” como conceito, apresentando discussões e experiências de pesquisa relacionadas a essa abordagem a partir de uma pesquisa sobre a diversidade sexual e de gênero entre indígenas do povo Puri. Destacamos a importância de reconhecer a colonialidade presente nos paradigmas de pesquisa europeus e a necessidade de adotar metodologias que valorizem os modos de produção de conhecimento dos povos subalternizados. É enfatizado que a autoetnografia indígena surge como uma forma de resistência epistêmica, buscando privilegiar as epistemologias e ontologias dos povos originários, e como essa metodologia pode ser utilizada para dar voz aos sujeitos historicamente silenciados e promover a autodeterminação e a justiça social. O artigo também aborda a aplicação da autoetnografia indígena em uma pesquisa de mestrado, na qual investigo as experiências de resistência de pessoas do povo Puri e como suas identidades sexuais e de gênero se entrecruzam com seus processos de ressurgência étnica.

Biografia do Autor

  • Kigéw Puri, Universidade Federal do ABC – UFABC

    Indígena do Povo Puri, possui graduação em Teologia pela Faculdade Latino-americana (2020), especialização em Antropologia pela Unyleya (2022) e mestrado em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC (2024), onde cursa atualmente o doutorado em Economia Política Mundial. Tem experiência na área de Teologia Indígena e Queer, questões de gênero e sexualidade entre povos indígenas e pesquisa atualmente o pensamento indígena contemporâneo.

Referências

BANIWA, Gersem Luciano. Antropologia colonial no caminho da antropologia indígena. Novos Olhares Sociais, v. 2, n. 1, p. 22–40, 2019.

CASTRO, Eduardo Viveiros de. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Ubu Editora, 2020.

CASTRO, Eduardo Viveiros de. Metafísicas canibais: elementos para uma antropologia pós-estrutural. São Paulo: Ubu Editora : N-1 Edições, 2018.

KLINGER, Diana Irene. Escritas de si, escritas do outro : autoficção e etnografia na narrativa latino-americana contemporânea. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: <https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/6168>. Acesso em: 13 fev. 2023.

LUGONES, María. Rumo a um feminismo decolonial. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Pensamento Feminista: Conceitos Fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019. p. 357-377.

LUGONES, María. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Pensamento feminista hoje: Perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020. p. 52-83.

MIGNOLO, Walter D. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, n. 34, 2008.

SANTOS, Silvio Matheus Alves. O método da autoetnografia na pesquisa sociológica: atores, perspectivas e desafios. Plural, v. 24, n. 1, p. 214–241, 2017.

SEGATO, Rita. Crítica da colonialidade em oito ensaios: e uma antropologia por demanda. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

SIMAKAWA, Viviane Vergueiro. Por inflexões decoloniais de corpos e identidades de gênero inconformes: uma análise autoetnográfica da cisgeneridade como normatividade. Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2015. Disponível em: <https://repositorio.ufba.br/handle/ri/19685>. Acesso em: 8 jul. 2022.

SMITH, Linda Tuhiwai. Descolonizando Metodologias: Pesquisa e Povos Indígenas. Curitiba: Ed. UFPR, 2018.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o Subalterno Falar? 1a edição. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018.

WHITINUI, Paul. Indigenous Autoethnography: Exploring, Engaging and Experiencing ‘Self’ as a Native Method of Inquiry. Journal of Contemporary Ethnography, v. 43, n. 4, p. 456, 2013.

WILSON, Shawn. Research Is Ceremony: Indigenous Research Methods. Illustrated edição. Black Point, N.S: Fernwood Publishing, 2008.

Downloads

Publicado

13-07-2026

Edição

Seção

Dossiê Temático: Dar fim a pesquisa como conhecemos

Como Citar

Autoetnografia indígena: : conceito, discussão e experiência de pesquisa. (2026). Revista Brasileira De Estudos Da Homocultura, 8(23). https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-87