A pesquisa para contestar as normatividades cisheterocoloniais:
notas cartográficas para um currículo franco com orgulho
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-73Palavras-chave:
Currículo franco e com orgulho; Epistemologias da diferença; Pesquisa em educação.Resumo
Este ensaio foi escrito com corpos atravessados e vozes que insistem. Por esses motivos, propõe um enfrentamento à pesquisa científica como a conhecemos, a partir da proposição do que nomeamos como currículo franco e com orgulho – práticas curriculares que não apenas contestam as normatividades cisheterocoloniais da/na educação, mas propõem reconfigurações radicais nos modos de ensinar, pesquisar e existir. Partindo de fabulações políticas, éticas, estéticas e poéticas, o texto afirma a pesquisa como território de sobrevivência e reexistência de corpos dissidentes – especialmente travestis e bichas – no interior de escolas e universidades que ainda sustentam formas sutis e explícitas de epistemicídio. Através da proposição de dez pistas cartográficas, discutimos acontecimentos do cotidiano que, ao invés de serem tratados como exceções, revelam-se como núcleo vivo de uma pesquisa que se escreve com a pele, com a raiva, com a memória e com o desejo. Ao final, insistimos que o fim da pesquisa como conhecemos não é a sua extinção, mas o prenúncio de um saber indisciplinado, fabuloso e radicalmente comprometido com a vida.
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