Por uma crítica literária sensível às vozes dissidentes:
possibilidades de autorrecuperação da crítica e daquela que critica
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-82Palavras-chave:
Autorrecuperação. Melancolia crítica. Teoria literária. Transculturação.Resumo
O texto propõe a presença de certo traço melancólico formativo na crítica literária enquanto prática de pesquisa hegemônica em literatura. Esse traço compromete a possibilidade da recepção crítica de obras compostas de uma perspectiva outra que não a hegemônica devido a engessada mobilização de métodos de análise literária que são deletérios aos esforços contemporâneos de expressão artística de sujeitos subalternizados. A questão é complexificada quando se atesta que esse tipo de recepção/crítica é uma construção epistêmica e, por isso, é comumente replicada mesmo por pessoas que buscam ler contra-hegemonicamente obras literárias. Enquanto proposição, é defendido que através da transculturação de teorias antissistêmicas é possível pensar novas formas com que dialogar com expressões artísticas não-hegemônicas. Estruturalmente, este texto apresenta primeiro o teor basilar do locus de enunciação da razão eurocêntrica para, subsequentemente, identificar enquanto derivação direta disto os traços melancólicos da crítica. Em um segundo momento, são mobilizadas reflexões teóricas-sensíveis de autoras como Marilene Felinto, bell hooks e Saidiya Hartman para construir pontes possíveis para transculturar a teoria melancólica e, nisto, subverter o traço melancólico da própria crítica. Por fim, são propostas tentativas de intervenção para se autorrecuperar a crítica e aquela pessoal que a faz através da transculturação, da quizomba do conceito de melancolia. Enquanto resultado, é apresentada a ideia de uma melancolia crítica, ou “melancolia de guerrilha” que, com e contra a falta fundante, pode oferecer meios com que resistir a este sistema-mundo e continuar buscando, tal qual proposto por hooks, a cura pela teoria.
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