O gênero da morte: notas sobre transfeminicídio no Ceará, Bahia e Pernambuco
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.8.23-38Palavras-chave:
Transfeminicídio, Nordeste, Travestis, Transexuais, EstadoResumo
O artigo analisa o transfeminicídio no Nordeste brasileiro, enfatizando sua dimensão estrutural e social. Entre 2017 e 2023, foram registrados 397 homicídios de pessoas trans na região, revelando um padrão de violência sistêmica contra identidades dissidentes. A pesquisa fundamenta-se em dados da ANTRA, do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e do Grupo Gay da Bahia (GGB), além de notícias jornalísticas. O estudo explora a invisibilidade das mortes trans nos registros oficiais e a omissão estatal na formulação de políticas públicas de proteção. Além disso, são analisados casos emblemáticos de violência extrema, como os assassinatos de Keron Ravach, no Ceará, e de Roberta Nascimento, em Pernambuco. O artigo sustenta que o transfeminicídio não é um evento isolado, mas sim um fenômeno que expressa relações de poder interseccionais, nas quais machismo, racismo e LGBTfobia operam conjuntamente para a exclusão e marginalização de corpos trans. Por fim, conclui-se que o enfrentamento do transfeminicídio exige políticas públicas efetivas e a incorporação de debates sobre a violência de gênero e diversidade na agenda estatal.
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Referências
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