O Yaoi e a representação de homens que gostam de homens
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.7.22-98Resumo
Os mangás Yaoi, num relance de olhar, apresentam uma narrativa fixada no relacionamento afetivo-sexual entre homens, sendo lançado automaticamente na categoria ‘ocidental’ de homossexuais masculinos/gays, englobada num prospecto identitário LGBTQIA+. Por outro lado, o mote deste ensaio é refletir sobre essa apreensão automática das categorias do Yaoi como parte do sistema identitário ‘ocidental’: será que as histórias dos Yaois são representativas das experiências gays? Como tratam a relação entre gênero e sexo nessas histórias? Não se busca a caracterização da orientação sexual no Japão, para isso seria necessária uma incursão cultural que não se tem no momento. Mas, busca-se analisar a forma como é representado no Yaoi a relação de homens que gostam de outros homens. Para isso, se apresentará o Yaoi “Love Stage!!”, como exemplo, a partir das aproximações e afastamentos das categorias brasileiras de identidades ligadas à orientação sexual e do que é reapresentado nas estilísticas de Seme (atacante) e Uke (atacado) nessa história. Sendo o Seme, representado na masculinidade e no papel de ativo, e o Uke, na feminilidade e, portanto, papel de passivo. Seme e Uke, representam figuras características de orientação sexual no Yaoi, mantendo estruturas corporais, psíquicas e de comportamento que atrelam os estereótipos do gênero à posição sexual, configurando uma heteronormatividade nessas relações. Contudo, essas disposições tornam-se parte de um jogo de papéis que invertem algumas características estereotipadas, ao mesmo tempo, que mantém outras, assim como quem desvia da linha, mas não sai da folha. Longe de encerrar a discussão, apenas inicia-se alguns passos nessa trajetória para compreender as configurações do sistema sexo/gênero, que não necessariamente se baseará no modelo identitário ocidental.
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